Mercados Financeiros

JPMorgan alarga à Europa e ao Canadá plano de 1,5 biliões de dólares para indústrias estratégicas

Um ano depois de lançar a Security and Resiliency Initiative, o maior banco norte-americano levou à Europa e ao Canadá o programa com que quer financiar a defesa, os minerais críticos, a energia e as tecnologias de fronteira. Jamie Dimon diz que os Estados Unidos ficaram “demasiado dependentes de fontes pouco fiáveis”.

O JPMorganChase lançou há um ano a Security and Resiliency Initiative, um plano a dez anos para facilitar, financiar e investir 1,5 biliões de dólares em indústrias consideradas críticas para a segurança e a resiliência económica dos Estados Unidos. O programa inclui investimentos directos em capital e capital de risco de até 10 mil milhões de dólares em empresas seleccionadas, sobretudo norte-americanas, para acelerar o crescimento, a inovação e a produção industrial estratégica.

“Tornou-se dolorosamente claro que os Estados Unidos se deixaram tornar demasiado dependentes de fontes pouco fiáveis de minerais críticos, produtos e capacidade industrial, todos essenciais para a nossa segurança nacional”, afirmou na altura o presidente executivo, Jamie Dimon. Para o banqueiro, o país precisa de “mais rapidez e investimento” e de remover obstáculos como o “excesso de regulação, a demora burocrática, o bloqueio partidário e um sistema de ensino desalinhado das competências de que precisamos”.

De um bilião a 1,5 biliões

O banco já previa financiar cerca de um bilião de dólares nestes sectores ao longo da década e aumentou o montante em até 500 mil milhões, um acréscimo de 50%. O plano abrangia inicialmente quatro grandes áreas, divididas em 27 subsectores, da construção naval e da energia nuclear aos nanomateriais e aos componentes de defesa:

cadeias de abastecimento e indústria avançada, incluindo minerais críticos, precursores farmacêuticos e robótica;
defesa e aeroespacial, incluindo tecnologia militar, sistemas autónomos, drones e comunicações seguras;
independência e resiliência energética, incluindo armazenamento em baterias e redes eléctricas;
tecnologias estratégicas, como a inteligência artificial, a cibersegurança e a computação quântica.
Entretanto, o banco acrescentou uma quinta área, a farmacêutica e as tecnologias de saúde.

O JPMorgan, que serve cerca de 34 mil empresas de média dimensão e mais de 90% das 500 maiores empresas norte-americanas, prometeu contratar mais banqueiros e especialistas e criou um conselho consultivo externo com responsáveis dos sectores público e privado. Defende também políticas que acelerem o investimento, como a simplificação do licenciamento e da contratação pública.

Europa e Canadá

Em Abril, o banco alargou o programa ao Reino Unido e à Europa continental, sob a supervisão dos presidentes executivos para a região EMEA, Conor Hillery e Matthieu Wiltz. O antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas britânicas, o almirante Tony Radakin, foi indicado para o conselho consultivo, ainda sujeito a aprovação regulatória. Em Junho foi a vez do Canadá, onde o foco será a defesa, a energia, a mineração e as cadeias de abastecimento seguras. Aí, o JPMorgan participa também na criação de um banco multilateral de defesa, segurança e resiliência.

“Agora, é do nosso melhor interesse enfrentar estes desafios em conjunto”, afirmou Dimon a propósito da expansão europeia.

Foto: Presidente Executivo- Jamie Dimon

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