O livro Journal d’un prisonnier (Diário de um Prisioneiro), de Nicolas Sarkozy, no qual o antigo presidente francês relata os dias que passou na prisão, tornou-se, em poucos dias, um fenómeno de vendas.
A obra assume a forma de diário e descreve os 21 dias que Sarkozy passou detido na prisão de La Santé, em Paris, após ter sido condenado em primeira instância por financiamento ilícito ligado ao regime de Muammar Kadhafi. O autor detalha as condições da cela, a rotina diária, a solidão, o barulho constante, a alimentação e pequenos aspectos do quotidiano de um ex-chefe de Estado atrás das grades.
Para além do relato carcerário, o relato está muito politizado. Sarkozy aproveita a narrativa para reafirmar a sua inocência, criticar a justiça que o condenou e tentar “controlar a narrativa” em torno do processo judicial. O texto inclui ainda mensagens dirigidas à direita francesa, reflexões sobre a reconstrução dos Republicanos e considerações sobre a relação com a extrema-direita, incluindo contactos com Marine Le Pen.
O livro tornou-se rapidamente um best-seller, alcançando o topo das vendas em plataformas como a Amazon poucos dias após o lançamento. O sucesso é explicado por três factores decisivos: o carácter inédito de um ex-presidente europeu relatar, na primeira pessoa, a experiência da prisão; o capital de notoriedade de Sarkozy; e a curiosidade pública, quase “voyeurista”, sobre o quotidiano de um antigo chefe de Estado numa cela. O próprio autor afirma ter estado detido na ala mais dura da prisão, num registo que alguns críticos consideram dramatizado e emocionalmente manipulador.