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João Lourenço defende multilateralismo eficaz e maior justiça na relação África–Europa na abertura da 7.ª Cimeira UA–UE

O Presidente da República e Presidente em Exercício da União Africana, João Lourenço, defendeu esta segunda-feira, em Luanda, a necessidade de “resgatar o multilateralismo” e reforçar uma parceria equilibrada entre África e Europa, marcada pelo respeito mútuo, pela cooperação estratégica e por reformas concretas na governação global.

O chefe de Estado angolano abriu oficialmente a 7.ª Cimeira União Africana–União Europeia, que decorre sob o lema “Promover a Paz e a Prosperidade através de um Multilateralismo Eficaz”, perante chefes de Estado e de Governo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e responsáveis máximos das instituições africanas e europeias.

Na sua intervenção, João Lourenço saudou os líderes presentes e sublinhou o significado especial de Luanda acolher o encontro no ano em que Angola celebra 50 anos de Independência. O Presidente afirmou que a cidade “ergue-se como tribuna de esperança” e simboliza a determinação africana em aprofundar relações construtivas com a Europa num contexto internacional marcado por múltiplas crises.

Assinalando o 25.º aniversário da parceria entre os dois blocos, João Lourenço destacou os avanços alcançados e o “aprofundamento do conhecimento mútuo”, reconhecendo que a cooperação já abrange áreas como paz e segurança, comércio, governação, educação, saúde, clima e transformação digital.

O líder angolano reiterou as prioridades definidas durante a presidência pro tempore da União Africana, entre as quais a consolidação da paz e estabilidade, o empoderamento dos jovens e das mulheres, a integração económica, a transição energética e a resiliência climática.

João Lourenço defendeu uma presença africana mais forte nos processos de decisão internacional e insistiu na urgência de reformar o sistema financeiro global. Recordou a 4.ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizada em Sevilha, onde parceiros europeus manifestaram abertura a mecanismos mais justos de reestruturação da dívida e instrumentos inovadores de financiamento.

“África necessita vitalmente de acesso a financiamento com custos comportáveis”, afirmou, alertando que o continente não pode continuar sujeito à “asfixia provocada pelo endividamento insustentável”.

O Presidente sublinhou a importância de iniciativas como o Global Gateway e destacou a relevância, para África e para o mundo, de projectos estruturantes como a aceleração da conectividade digital, a transição energética e o Corredor do Lobito, que considera essencial para dinamizar a produção e industrialização africanas e reforçar o comércio intra-continental.

Apelou ainda à criação de oportunidades de formação e emprego para a juventude africana, defendendo que a cooperação com a Europa deve privilegiar medidas que fixem jovens nos seus países de origem e reduzam fluxos migratórios irregulares.

João Lourenço dedicou parte substancial do discurso às alterações climáticas, alertando para a intensificação de fenómenos extremos e criticando a falta de resultados concretos após sucessivas COP. Reforçou que, embora África seja o continente que menos polui, tem enorme potencial para liderar a produção de energia limpa, através de barragens hidroeléctricas e parques solares.

Quanto à segurança, o Presidente afirmou que Europa e África enfrentam simultaneamente crises graves — desde a guerra na Ucrânia à instabilidade no Sahel, Somália, Moçambique, Sudão e República Democrática do Congo, além do agravamento do conflito israelo-palestino. Lamentou a violação recorrente dos princípios da Carta das Nações Unidas e criticou acções unilaterais de grandes potências que “desautorizam o próprio Conselho de Segurança”.

Ao encerrar o discurso, João Lourenço reforçou que apenas um multilateralismo renovado e eficaz permitirá enfrentar crises globais e construir uma relação África–Europa baseada na reciprocidade e no benefício mútuo.

“É urgente que o multilateralismo seja resgatado, para o bem da Humanidade”, afirmou João Lourenço.

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