Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã de sábado, 22 de Novembro de 2025, em Brasília, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), após a condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A decisão, fundamentada pelo ministro Alexandre de Moraes, apontou risco real de fuga, incluindo suspeitas de violação da tornozeleira eletrónica e a convocação de vigílias por aliados, que poderiam facilitar um eventual pedido de asilo em embaixadas estrangeiras.
O ex-presidente encontra-se numa cela especial na Superintendência da Polícia Federal (PF), preparada desde Maio para acolher autoridades com prerrogativas específicas.
O espaço, semelhante ao utilizado por Luiz Inácio Lula da Silva entre 2018 e 2019, dispõe de cama, casa de banho privativa, televisão, frigobar, ar-condicionado e mesa de trabalho, garantindo isolamento total de outros detidos. A utilização da sala foi confirmada após entendimentos entre a PF, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal e a Superintendência local.
A custódia preventiva não significa o início imediato do cumprimento da pena, uma vez que Bolsonaro ainda pode recorrer ao STF até 24 de Novembro. Apenas após eventual rejeição do recurso é que a sentença começará a ser executada.
A prisão ocorre num contexto político e internacional sensível, marcado pelas consequências das investigações sobre a tentativa de insurreição de 8 de Janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram edifícios federais em Brasília. Promotores acusam Bolsonaro e aliados de conspirarem para um golpe, incluindo alegados planos para assassinar o presidente Lula, o vice-presidente e o próprio ministro Moraes.
A situação reacende tensões na direita brasileira e deixa indefinida a corrida presidencial de 2026, apesar de Bolsonaro estar proibido de concorrer nos próximos oito anos. Ainda assim, o ex-presidente insiste em manter viva a possibilidade de candidatura, enquanto nomes como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro surgem como alternativas dentro do campo conservador.
A detenção de Bolsonaro, frequentemente comparada ao período em que Lula também esteve preso em cela especial antes de ver as suas condenações anuladas, marca um novo capítulo na história recente do Brasil e evidencia o impacto directo das decisões judiciais sobre as figuras mais influentes do cenário nacional.