O investimento europeu no Corredor do Lobito já ultrapassa 2,16 mil milhões de dólares, valor correspondente a cerca de 2 mil milhões de euros, abrangendo projetos nos três países envolvidos — Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo.
A informação foi avançada, nesta quarta-feira, 19 de Novembro, pela embaixadora da União Europeia em Angola, Rosário Bento Pais, durante uma conferência de imprensa relativa à VII Cimeira União Europeia–União Africana, que decorrerá em Luanda nos dias 24 e 25 de Novembro.
Segundo a diplomata, desse montante global, aproximadamente 788 milhões de dólares (730 milhões de euros) correspondem a financiamento proveniente das instituições europeias no âmbito da ajuda ao desenvolvimento. A restante fatia — cerca de 1,37 mil milhões de dólares — resulta de empréstimos e investimentos do sector privado.
A embaixadora recordou igualmente os interesses europeus no consórcio que opera o Corredor do Lobito e o Porto do Lobito.
O consórcio responsável pela concessão da linha férrea é o Lobito Atlantic Railway (LAR), liderado pela Trafigura, Mota-Engil e Vecturis, que assumiu a operação da infra-estrutura em 2023. Já a concessão do Porto do Lobito foi atribuída à Africa Global Logistics (AGL), pertencente ao MSC Group.
Durante a conferência, Rosário Bento Pais destacou também as prioridades da União Europeia para Angola no contexto da cimeira, sublinhando que são “as mesmas definidas para os restantes países africanos” e que o encontro permitirá fazer um balanço dos últimos 25 anos de cooperação.
No domínio das infra-estruturas e investimentos, as prioridades acordadas com o Governo angolano para o período 2021-2027 concentram-se em três eixos: diversificação económica e emprego, desenvolvimento humano e governação.
A diplomata sublinhou que a estratégia Global Gateway, lançada pela UE em 2021, incorpora estas prioridades e coloca Angola entre os países com projectos estruturantes de maior dimensão, sendo o Corredor do Lobito um dos mais relevantes.
Além do impacto nos transportes, a UE pretende que o corredor se transforme numa plataforma de desenvolvimento económico, beneficiando populações locais e promovendo práticas sustentáveis.
Rosário Bento Pais referiu ainda a componente regional do projecto, que envolve instituições financeiras e Estados-membros da UE, reforçando que o investimento em infra-estruturas é hoje uma prioridade europeia, com Angola a integrar um dos 12 corredores estratégicos abrangidos pela Global Gateway.