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Herdeiros de Dangote apoiam plano do multimilionário nigeriano para doar um terço da sua fortuna de 36,5 mil milhões de dólares

Filha do homem mais rico de África confirma intenção do pai, num momento em que a nova geração da família assume cada vez mais responsabilidades no império empresarial do grupo Dangote

O homem mais rico de África, Aliko Dangote, planeia dedicar um terço da sua fortuna a causas filantrópicas, segundo declarações da sua filha Halima Dangote, avançadas pela imprensa internacional. O apoio público manifestado pelos herdeiros do bilionário nigeriano dá uma nova perspectiva sobre os planos de sucessão do maior império empresarial privado de África, numa altura em que Dangote prepara a próxima geração da família para assumir responsabilidades ainda maiores dentro do grupo.

A concretizar-se, o compromisso deverá figurar entre as maiores doações filantrópicas já anunciadas por um bilionário africano — equivalendo a mais de 12 mil milhões de dólares, tendo em conta a fortuna actual de Dangote, avaliada em 36,5 mil milhões de dólares. O anúncio surge num momento em que o empresário nigeriano expande os papéis de liderança das suas filhas, enquanto prossegue com o objectivo de transformar o Grupo Dangote num negócio avaliado em 100 mil milhões de dólares.

Uma fundação com 32 anos de actividade

A filantropia não é, contudo, uma novidade na trajectória de Dangote. O empresário criou a Fundação Aliko Dangote em 1994, dedicada a projectos de educação, saúde e capacitação de jovens na Nigéria, e reforçou-a de forma decisiva em 2014, com uma dotação de 1,25 mil milhões de dólares — um dos maiores compromissos filantrópicos jamais assumidos por um empresário africano até à data. Segundo dados recentes, a fundação gasta hoje, em média, cerca de 35 milhões de dólares por ano em programas espalhados por todo o continente africano, abrangendo áreas como nutrição, saúde, educação e capacitação económica.

Entre os projectos mais emblemáticos da fundação conta-se um programa plurianual de 100 milhões de dólares para combater a desnutrição infantil grave na Nigéria e em países vizinhos, e uma parceria com a Fundação Bill & Melinda Gates e agências de saúde nigerianas que contribuiu para a erradicação da poliomielite em África, marco reconhecido pela Organização Mundial da Saúde em 2020. Mais recentemente, a fundação doou dez milhões de dólares para apoiar a Universidade de Ciência e Tecnologia Aliko Dangote, no estado nigeriano de Kano, e tem investido em infra-estruturas para instituições de ensino superior no país, incluindo a construção de uma residência universitária avaliada em 1,2 mil milhões de nairas, doada em 2019 à Universidade Ahmadu Bello, em Zaria — na altura, a maior doação privada de sempre a uma universidade nigeriana.

“A quem muito é dado, muito é exigido”

Ao longo dos anos, Dangote tem repetidamente manifestado a intenção de reforçar o seu compromisso filantrópico. “A quem muito é dado, muito é exigido” é o mantra que o próprio empresário costuma citar para justificar a sua aposta na filantropia, tendo já afirmado publicamente o desejo de “não ser conhecido apenas como o homem mais rico de África, mas como o maior filantropo de África”.

A nova geração assume cada vez mais poder no grupo

O anúncio surge num contexto de transição geracional dentro do império Dangote, à medida que o fundador do grupo se vai progressivamente afastando de funções executivas de topo. As três filhas do bilionário nigeriano têm assumido papéis de crescente relevância na estrutura do conglomerado: Halima Dangote lidera desde 2023 o Dangote Family Office, sediado no Dubai, responsável pela gestão de longo prazo dos activos da família, sendo também administradora fiduciária (trustee) da Fundação Aliko Dangote — reforçando o compromisso da família com o impacto social. Já Fatima Dangote, a mais nova das três irmãs, tem construído a sua influência na área da estratégia comercial, ocupando o cargo de directora executiva de operações comerciais da Dangote Industries Limited (DIL), com responsabilidade sobre comunicação, aprovisionamento e administração em todo o conglomerado — incluindo um papel central na redução da dependência de importações de açúcar através do Programa de Integração a Montante do grupo.

Um império que vai muito além do cimento

Fundado sobre negócios de cimento, agricultura, açúcar e refinação de petróleo, o Grupo Dangote conta hoje com operações em 15 países africanos, sendo o maior conglomerado privado da África Ocidental. A Dangote Cement, a principal empresa cotada em bolsa do grupo, tem uma capitalização de mercado que ronda os 24 mil milhões de dólares, com Dangote a deter mais de 90% do seu capital — uma fatia do património que, a confirmar-se o plano de doação de um terço da sua fortuna, deverá também ser chamada a contribuir para o reforço da capacidade filantrópica da família a longo prazo.

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