Agostinho Kapaia, fundador e presidente executivo do Grupo OPAIA, anunciou planos para levar o seu conglomerado a Moçambique, depois de uma audiência com o presidente moçambicano Daniel Chapo à margem da Cimeira de Investimento Angola 2026 – Global Tourism Forum, realizada em Luanda.
O grupo pretende atuar nos sectores da construção civil, energia, água, indústria e fertilizantes, e já sinalizou a intenção de abrir um escritório local e registar uma filial moçambicana.
Kapaia descreveu o encontro com Chapo como “uma importante oportunidade para reforçar laços institucionais e partilhar perspetivas sobre novas possibilidades de cooperação económica em sectores estratégicos”, sublinhando a “elevada consideração pelo potencial de Moçambique”.
A estratégia do grupo passa por uma integração com o tecido empresarial local e pelo reforço do comércio intra-africano. “Estivemos recentemente em Moçambique e vamos naturalmente criar um escritório no país. Queremos abrir uma empresa em Moçambique e encontrar empresários moçambicanos para desenvolver parcerias”, afirmou Kapaia a jornalistas a 17 de junho. “Acreditamos que a cooperação entre países africanos, assente no respeito mútuo, na transferência de conhecimento e na criação de valor local, é fundamental para o desenvolvimento sustentável do continente”, acrescentou.
O anúncio insere-se numa vaga de interesse de investidores angolanos e emiradenses em projetos moçambicanos de turismo, infraestruturas, indústria e formação de recursos humanos, que o presidente Chapo procurou captar durante a cimeira.
Um dos maiores conglomerados de Angola
Fundado em 2002 por Kapaia, natural de Huambo, o Grupo OPAIA é um dos maiores conglomerados privados angolanos, com presença em construção civil, energia solar, sistemas de água potável, hotelaria e turismo, agricultura, montagem automóvel e serviços financeiros. O grupo tem escritórios em Lisboa, São Paulo, Guangzhou e Miami, além da sede em Luanda.
Em janeiro de 2026, o OPAIA inaugurou um complexo industrial automóvel na Zona Económica Especial de Luanda com capacidade para montar até 22.000 veículos ligeiros e 1.000 autocarros por ano, incluindo modelos elétricos e híbridos, gerando 1.500 empregos diretos no arranque. Entre 2022 e 2024, o grupo foi adjudicatário de contratos que totalizaram 1,3 mil milhões de dólares. Mais recentemente, o OPAIA envolveu-se num projeto de fábrica de fertilizantes avaliado em 1,4 mil milhões de dólares em parceria com o Afreximbank — uma unidade com capacidade de 4.000 toneladas por dia e que prevê criar 1.200 postos de trabalho permanentes em Angola. Agostinho Kapaia foi distinguido pelo Presidente João Lourenço com a Medalha Presidencial de Honra pela Paz e pelo Desenvolvimento.