Co-presidentes executivos da petrolífera portuguesa dizem que hipótese de retomar actividades no país “existe”, num momento em que a empresa apresenta lucros recordes no primeiro semestre
A Galp admite regressar às actividades de exploração e produção de petróleo em Angola e está a analisar oportunidades no país, mas ainda não tomou qualquer decisão concreta, disseram os co-presidentes executivos da empresa à Lusa.
“A hipótese de nós regressarmos a Angola existe. Se há alguma decisão tomada concretamente que tenhamos para partilhar, não”, afirmou o co-CEO João Diogo Marques da Silva, numa conversa telefónica com a Lusa, no âmbito da apresentação dos resultados do primeiro semestre.
A petrolífera portuguesa vendeu, em 2024, os activos de exploração e produção que detinha em Angola, embora mantenha operações no segmento de distribuição e comercialização de combustíveis no país. João Diogo Marques da Silva confirmou que a empresa está a fazer um levantamento das oportunidades existentes, salientando que a Galp conhece bem o mercado angolano e mantém uma boa relação com as autoridades locais e com a petrolífera estatal Sonangol.
“É de facto um país que conhecemos bem, porque estivemos presentes vários anos. Aliás, a nossa exploração começou em Angola há muitos anos, portanto, sentimo-nos confortáveis com a geografia”, acrescentou o responsável.
“É importante entender em que mercado a Galp opera”
A co-CEO Maria João Carioca explicou que a Galp analisa regularmente activos que possam permitir à empresa manter os actuais níveis de crescimento e de produção de petróleo e gás. A empresa está especialmente focada na Bacia Atlântica do Sul, área geográfica que inclui Angola e onde a Galp já tem experiência e relações históricas. “Angola está nesse perímetro geográfico e temos efectivamente um relacionamento histórico, uma parceria e uma proximidade com Angola”, afirmou.
Segundo a responsável, qualquer eventual investimento terá de ser compatível com a situação financeira da Galp e enquadrar-se nas prioridades estratégicas da empresa.
Maria João Carioca explicou que a análise não se limita a Angola, abrangendo outras geografias onde a Galp já está presente, nomeadamente Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. A gestora salientou que a empresa mantém um portefólio diversificado de países, com actividades de exploração e produção em alguns mercados e de refinação, distribuição e comercialização noutros, que vai avaliando em função das prioridades do negócio. “Há um conjunto de países nos quais temos presenças, algumas ‘upstream’ [exploração e produção de petróleo e gás], algumas ‘downstream’ [refinação, distribuição e comercialização]. Portanto, temos um portefólio diversificado que vamos sempre alimentando”, afirmou.
O presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, tinha indicado recentemente, na conferência Doing Business Angola, organizada pelo Jornal Económico/Forbes, que a Galp pretendia regressar às actividades de exploração petrolífera no país. A Sonangol é também accionista indirecta da Galp, através da Esperaza Holding, que detém 45% da Amorim Energia — principal accionista da petrolífera portuguesa, com 37,51% dos direitos de voto.