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G7 liberta 100 milhões de barris de reservas após pressão de Trump

A libertação, coordenada pela Agência Internacional de Energia, começa de imediato e inclui uma “libertação substancial” de gasóleo nos primeiros 20 dias. A decisão dá um trunfo à Casa Branca a poucas semanas das eleições intercalares.

Os países do G7 acordaram esta sexta-feira libertar 100 milhões de barris de gasóleo e petróleo das suas reservas estratégicas ao longo de quatro meses, cedendo à pressão crescente do Presidente norte-americano, Donald Trump. O acordo evita uma possível proibição das exportações norte-americanas de gasóleo.

O anúncio chegou primeiro pela voz de Trump. “A Europa acaba de aceitar libertar uma enorme quantidade dos seus stocks de gasóleo”, escreveu o Presidente no Truth Social. “O processo começará imediatamente.”

Pouco depois, os líderes do G7 confirmaram o acordo num comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu. Comprometeram-se a uma libertação coordenada de 100 milhões de barris através da Agência Internacional de Energia (AIE), com início imediato e ao longo de quatro meses, incluindo uma libertação substancial de gasóleo nos primeiros 20 dias. Os líderes acordaram também abster-se de impor restrições às exportações de energia e apelaram a outros países para que façam o mesmo.

Das conversas com Macron à videoconferência

O acordo resulta de uma ronda intensa de contactos. Segundo um funcionário da Casa Branca, Trump falou com o Presidente francês, Emmanuel Macron, na noite de quinta-feira, e com os líderes do G7 na manhã de sexta-feira, para negociar a libertação. Na conversa bilateral, Macron terá proposto a libertação de cerca de 100 milhões de barris de gasóleo e petróleo para afastar a ameaça norte-americana. Como presidente rotativo do G7, foi Macron quem dirigiu a videoconferência dos líderes e anunciou o acordo.

A decisão surge depois de uma semana de pressão da administração Trump sobre os aliados europeus, sobretudo a Alemanha e a França, que detêm uma grande parte das reservas de gasóleo da União Europeia. Washington acusava a Europa de arrastar os pés no cumprimento do compromisso, assumido em março, de usar os seus stocks de energia. Na quinta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, instou a Europa a usá-los “imediatamente”. A Casa Branca terá pedido à Europa que libertasse pelo menos 100 milhões de barris, ameaçando proibir as exportações norte-americanas de gasóleo caso não o fizesse. Segundo a Reuters, a ameaça visava em concreto a França e a Alemanha.

Muitas perguntas por responder

O comunicado não esclarece que parte dos 100 milhões de barris será gasóleo, nem quanto caberá à Europa. Indica apenas que os volumes terão em conta os compromissos já cumpridos ao abrigo do acordo de março, quando os membros da AIE aprovaram a libertação de 400 milhões de barris de petróleo.

Segundo o analista Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, uma libertação de 100 milhões de barris de gasóleo em quatro meses substituiria, na prática, as exportações russas, praticamente interrompidas depois de os ataques de drones ucranianos terem reduzido fortemente a capacidade de refinação da Rússia.

O efeito nos mercados sentiu-se ainda antes do anúncio. O preço do gasóleo caiu 6% com as notícias de que a União Europeia poderia libertar 50 milhões de barris das suas reservas. Segundo o Irish Times, a libertação poderá baixar o preço nas bombas em cerca de oito cêntimos.

O mundo enfrenta uma crise de abastecimento de combustíveis, provocada pelos ataques ucranianos às refinarias russas e pelas perturbações no Médio Oriente causadas pela guerra com o Irão. Nos Estados Unidos, o gasóleo atingiu recentemente preços recorde.

Um trunfo para as intercalares

Para Trump, o acordo chega numa altura crítica. O Presidente e o Partido Republicano estão sob pressão para travar a subida dos preços antes das eleições intercalares de novembro, que vão decidir o controlo do Congresso. A popularidade de Trump tem estado em queda, com a guerra com o Irão e as disputas comerciais a fazerem subir o preço do petróleo e de outros bens.

A ameaça de proibir as exportações de gasóleo, que serviu de alavanca nas negociações, parece, entretanto, ter perdido força. Depois do anúncio, Trump pareceu afastar-se da ideia, devido ao impacto que teria nos preços da gasolina.

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