Mercado & Finanças

FMI persiste em alertar Angola para os riscos da dependência petrolífera

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a alertar para os riscos associados à forte dependência de Angola das exportações de petróleo. Esta situação reduz a margem de manobra para investimentos sociais e infra-estruturas, podendo aumentar a pressão sobre o Orçamento Geral do Estado e exigir reformas mais profundas.

O país deverá registar um crescimento económico de cerca de 2% em 2025, uma descida significativa face aos 4,4% alcançados em 2024.

O Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026 apresenta vários sinais de preocupação: mais de 45% das despesas serão absorvidas pelo serviço da dívida (reembolso e juros), mantendo uma tendência que limita a capacidade do Estado de investir noutros sectores.

O elevado peso da dívida reduz os recursos disponíveis para áreas prioritárias. A necessidade crescente de recorrer ao endividamento interno pode encarecer o crédito e pressionar ainda mais o sector bancário.

O défice orçamental deverá descer para cerca de 2,8% do PIB, depois dos 3,3% estimados para 2025.

A queda da produção petrolífera e a descida do preço do crude continuam a afectar as receitas públicas. Para que o país alcance um crescimento sustentável e menos vulnerável aos choques externos, será necessário reforçar sectores como a agricultura, indústria, serviços e infra-estruturas, bem como melhorar o ambiente institucional.

O sector bancário tem registado crescimento em títulos de dívida e crédito ao sector privado, mas, em dólares, estes valores permanecem muito abaixo dos picos de anos anteriores. O ambiente de financiamento, tanto interno como externo, torna-se mais exigente. O acesso a divisas e a estabilidade cambial continuam a ser factores críticos.

Apesar do abrandamento da inflação, os preços da cesta básica e de bens essenciais continuam a subir. Este cenário pressiona as famílias — sobretudo as de menor rendimento — e, num contexto de contenção orçamental e de necessidade de reformas, aumenta o risco de instabilidade social caso os salários não acompanhem o custo de vida.

Europa

O Banco Central Europeu (BCE) mantém o alerta em relação ao fraco crescimento da zona euro, apesar de alguns sinais de melhoria. A inflação aproxima-se dos 2% — a meta definida — mas o ritmo de crescimento económico continua lento.

Christine Lagarde, presidente do BCE, afirmou que o modelo económico europeu, altamente dependente das exportações, está “a desaparecer” ou a tornar-se obsoleto, sendo necessário reforçar o mercado interno. A Comissão Europeia projecta que o investimento bruto fixo suba para 2,0% em 2025 e 2,6% em 2026 na zona euro.

Mundo

O banco Barclays elevou a previsão para o S&P 500 em 2026, de 7 000 para 7 400 pontos, sustentando que a inteligência artificial será o principal motor macroeconómico nos próximos anos. Porém, cresce a preocupação com uma possível bolha da IA. No Reino Unido, por exemplo, o mercado acionista caiu para o nível mais baixo em um mês devido a essas apreensões. Para os investidores, multiplicam-se as oportunidades, mas também o risco de sobrevalorização.

A transição energética global avança, mas a um ritmo inferior ao desejado. A International Energy Agency (IEA) alerta que o uso de combustíveis fósseis poderá manter-se até meados da década de 2050, consoante o cenário. A meta de garantir que dois terços da electricidade mundial sejam produzidos por fontes renováveis até 2050 continua em vigor, e grandes volumes de investimento já estão em curso — sobretudo na China e em mercados emergentes.

No entanto, persistem obstáculos políticos e estruturais, incluindo divergências sobre o fim do uso de combustíveis fósseis em fóruns multilaterais como a COP30. Este contexto reforça a urgência de políticas internas mais robustas — produtividade, investimento e inovação — dado que os países não podem continuar a depender exclusivamente de factores externos para sustentar o crescimento.

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