A capital angolana acolheu ontem, quarta-feira, dia 23, 5.º Fórum Anual do Mercado de Capitais, uma iniciativa promovida pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC) em parceria com a Media Rumo, no Hotel Epic Sana. Num momento em que a diversificação da economia nacional se afirma como prioridade estratégica, o encontro convergiu na urgência de elevar a liquidez do mercado, atrair empresas do sector privado para a cotação em bolsa e consolidar a protecção aos investidores.
O exemplo internacional e a abertura ao sector privado
Um dos momentos marcantes dos trabalhos foi a intervenção de Leonardo Resende, Superintendente de Empresas e Mercado de Capitais da B3 (Bolsa do Brasil). O especialista partilhou a trajectória e as transformações estruturais do mercado brasileiro, sublinhando que o crescimento sustentado depende do alinhamento entre boas práticas de governação corporativa, transparência e incentivos regulatórios eficazes.
Nas discussões subsequentes — onde se destacou a contribuição de Fábio Guedes, gestor do Standard Invest, sob moderação de Pedro Pitta Groz, da CMC —, ficou patente a necessidade de desmistificar a bolsa junto do tecido empresarial privado. O acesso ao mercado de capitais foi apresentado não apenas como alternativa ao crédito bancário tradicional, mas como alavanca decisiva para a modernização da gestão e a abertura do capital das sociedades angolanas.
Literacia financeira e captação da poupança
No painel dedicado aos “Desafios e Oportunidades do Mercado de Capitais Angolano”, peritos da BODIVA, IGAPE, Banco Caixa Geral Angola, BFA Capital Markets, Ernst & Young, Ohuasi Investment e Kassai SGOIC debruçaram-se sobre os entraves e as alavancas do ecossistema financeiro local.
A literacia financeira emergiu como a prioridade mais premente. Os intervenientes concordaram que o aumento da participação dos pequenos aforradores exige um esforço pedagógico contínuo e articulado. Sem uma cultura de investimento sedimentada, a massificação dos instrumentos financeiros continuará a encontrar resistência.
Paralelamente, destacou-se o papel dinamizador dos Organismos de Investimento Colectivo (OIC), nomeadamente os fundos mobiliários e imobiliários. Estes veículos foram apontados como a via adequada para agregar a poupança fragmentada e canalizá-la de forma profissional e segura para projectos do sector produtivo.
PROPRIV e a profundidade do mercado
O Programa de Privatizações (PROPRIV) esteve igualmente no centro dos debates. A alienação de participações do Estado através de leilões e ofertas públicas na BODIVA foi qualificada como um catalisador indispensável para dotar o mercado secundário de maior profundidade, volume e atracção para investidores institucionais e internacionais.
Financiamento sustentável da economia real
Nas notas de encerramento, o Presidente do Conselho de Administração da CMC, Elmer Serrão, que já havia aberto os trabalhos logo de manhã, sintetizou a visão estratégica do regulador, assinalando que a verdadeira maturidade do mercado de capitais angolano não se aufere apenas pela dimensão isolada das operações, mas pela sua capacidade de se constituir como uma fonte sustentável e transparente de financiamento à economia real, assegurando em simultâneo elevados padrões de protecção aos investidores.