As exportações da China para África já estão em forte alta e as projecções indicam que podem mesmo ultrapassar os 200 mil milhões de dólares em 2025, partindo de níveis recorde em 2023–2024.
Em 2023, as exportações chinesas para África rondaram 173 mil milhões de dólares, com importações africanas para a China na ordem dos 110 mil milhões, o que já então gerava um défice comercial africano de mais de 60 mil milhões.
Em 2024, o comércio China‑África atingiu cerca de 295–296 mil milhões de dólares, dos quais perto de 179 mil milhões corresponderam a exportações chinesas para o continente.
Dados aduaneiros chineses apontam que, só nos primeiros oito meses de 2025, a China exportou cerca de 122 mil milhões de dólares em bens para África, com estimativas que colocam o total anual acima dos 200 mil milhões se a tendência se mantiver.
Outras estatísticas indicam que o comércio total China‑África nos primeiros cinco meses de 2025 já rondava 134 mil milhões de dólares, crescendo a dois dígitos face ao ano anterior.
As exportações chinesas para África são dominadas por maquinaria, equipamentos pesados, automóveis, produtos metálicos, têxteis, eletrónica e bens de consumo, refletindo o peso de grandes programas de infraestruturas e urbanização. Em sentido inverso, África exporta sobretudo matérias‑primas como petróleo bruto, minérios (cobre, cobalto, ferro), ouro, café e outros produtos agrícolas, o que mantém um desequilíbrio estrutural na balança comercial.
Para estimular as exportações africanas, a China ampliou regimes de isenção de tarifas, tendo anunciado zero tarifas para a maioria dos produtos provenientes de dezenas de países africanos de baixo rendimento ou menos desenvolvidos. Paralelamente, no quadro do FOCAC e de outros fóruns, Pequim anunciou pacotes de financiamento e compromissos de elevar gradualmente as importações de África, embora a transformação estrutural dependa da capacidade industrial africana e de melhorias logísticas internas.