O embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, destacou a coragem e bravura dos nacionalistas angolanos que, munidos de catanas, enfrentaram o regime colonial português, sublinhando que esse acto foi determinante para a conquista da Independência Nacional.
O diplomata falava em Londres, durante o acto de comemoração do Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional, que reuniu diplomatas, estudantes bolseiros e membros da comunidade angolana residente no Reino Unido.
Segundo José Patrício, sem os acontecimentos de 4 de Fevereiro de 1961, Angola não teria alcançado, “num espaço de tempo relativamente curto de 14 anos”, a Independência Nacional proclamada a 11 de Novembro de 1975, resultado directo da luta armada contra o colonialismo português.
O embaixador defendeu ainda que o espírito e o exemplo do 4 de Fevereiro devem ser estudados e preservados pelas novas gerações, como forma de manter viva a memória histórica do país. “Angola tem história e está repleta de conquistas alcançadas graças aos esforços e sacrifícios de angolanos destemidos que contribuíram, em diferentes momentos, para a construção do país que hoje temos e que muito nos orgulha”, afirmou.
Durante o acto, de acordo com uma nota de imprensa, o jovem angolano residente em Londres Cláudio Manuel João “Paiva”, neto do herói do 4 de Fevereiro Paiva Domingos da Silva, foi convidado a proferir uma palestra sobre a efeméride.
Na sua intervenção, Cláudio Manuel João abordou a dimensão patriótica da data, descrevendo os preparativos e a execução da operação de assalto às cadeias de Luanda, com base nos relatos transmitidos pelo seu avô. Segundo explicou, as acções foram cuidadosamente planeadas, com alvos definidos e forte simbolismo. “Os nacionalistas sabiam onde atacar, como atacar e o que simbolizava cada alvo”, referiu.
Actualmente oficial sénior do Ministério da Justiça do Reino Unido, o jovem sublinhou que o principal objectivo da acção era “romper o medo, libertar os presos e demonstrar que o colonizado também age e tem força”.
O acto comemorativo foi organizado pela Embaixada de Angola no Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte e Irlanda, em parceria com o Consulado-Geral de Angola em Londres, e contou com momentos culturais animados pela Banda Massemband, composta por membros da comunidade angolana.