A economia angolana manteve em 2025 uma trajectória de recuperação, ainda que a um ritmo moderado, num ano marcado por desafios fiscais, pressão sobre as receitas petrolíferas e medidas de ajustamento com impacto social significativo.
De acordo com estimativas de instituições internacionais, o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola terá crescido entre 2,9% e 3%, um desempenho inferior ao registado em 2024, quando a economia avançou cerca de 4,4%. A desaceleração reflecte, sobretudo, a redução das receitas provenientes do petróleo, principal motor da economia nacional, bem como um contexto macroeconómico internacional menos favorável.
No plano das finanças públicas, o exercício orçamental de 2025 evidenciou uma deterioração da posição fiscal, com o défice em torno de 2,8% do PIB. A queda dos preços e da produção petrolífera exerceu forte pressão sobre as contas do Estado, revertendo a tendência de maior equilíbrio registada em anos anteriores.
O ano ficou igualmente marcado por um reforço do acompanhamento internacional ao sector financeiro angolano. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial realizaram uma missão de Avaliação do Sector Financeiro (FSAP), com o objectivo de analisar a estabilidade, resiliência e vulnerabilidades do sistema bancário nacional. Paralelamente, o FMI reviu em baixa as previsões de crescimento para Angola em 2025, alertando para riscos orçamentais e desafios externos persistentes.
Entre as medidas mais sensíveis do ponto de vista social está o corte gradual dos subsídios aos combustíveis. O Governo avançou com um aumento significativo dos preços, incluindo uma subida de cerca de 33% no gasóleo, no âmbito da estratégia de consolidação fiscal. A decisão desencadeou protestos e distúrbios em várias cidades do país, com impacto directo no custo de vida, nos transportes e na estabilidade social, evidenciando a elevada vulnerabilidade das famílias à inflação e à subida dos preços da energia.
No sector financeiro, 2025 foi também um ano de afirmação e reposicionamento. O Banco de Comércio e Indústria (BCI) representou Angola no SIBOS 2025, em Frankfurt, o maior evento mundial do sector financeiro, reforçando a visibilidade internacional da banca angolana. Em Luanda, a realização do FIN Summit 2025 reuniu jovens empreendedores e especialistas, com enfoque na inovação financeira e no fortalecimento do ecossistema de negócios.
O mercado de capitais voltou igualmente ao centro do debate económico, com discussões em torno de potenciais novas listagens na BODIVA, incluindo a eventual entrada em bolsa de grandes empresas públicas, como a Sonangol, vista como um instrumento para captar financiamento e reforçar a transparência.
Ao nível das relações económicas externas, registaram-se esforços para diversificar parcerias comerciais, com países como o Brasil a manifestarem interesse em alargar a cooperação com Angola para além do petróleo. No domínio financeiro, o regresso do JPMorgan ao serviço de liquidação em dólares foi interpretado como um sinal positivo de reforço da confiança internacional no sistema financeiro angolano.
Ao longo do ano, o Presidente da República voltou a sublinhar a diversificação da economia como uma prioridade estratégica, defendendo o desenvolvimento de sectores como a agricultura e a indústria como essenciais para reduzir a dependência do petróleo e promover um crescimento mais inclusivo e sustentável.