O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que Abebe Aemro Selassie, director do Departamento da África (AFR), vai deixar o cargo a 1 de Maio de 2026, após uma carreira de 32 anos na instituição e uma década à frente das operações do FMI na região subsaariana.
Selassie, economista etíope que liderava o departamento desde 2016, supervisionou o envolvimento do Fundo com 45 países da África Subsaariana, em períodos marcados por desafios económicos globais, como a pandemia da COVID-19, inflação elevada e mudanças nas políticas comerciais internacionais.
Sob a sua liderança, o FMI expandiu significativamente o seu papel na região, incluindo a criação da 25.ª cadeira no Conselho Executivo, aumentando a representação dos países africanos na direcção da instituição. Selassie também foi reconhecido por reforçar o aconselhamento de políticas personalizadas, desenvolver capacidades locais e mobilizar recursos adicionais para apoiar Estados frágeis ou afectados por conflitos.
O anúncio da directora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, sublinha que Selassie guiou o departamento através de “períodos de profundas mudanças e desafios”, reforçando a posição do Fundo como parceiro de confiança para os membros africanos.
Abebe Selassie começou a sua carreira no FMI em 1994 e ocupou vários cargos de relevo, incluindo director-adjunto do Departamento da África, chefe de missão para países como África do Sul e Portugal e representante residente sénior no Uganda, entre outras funções.
Até ao momento, o FMI não anunciou quem será o sucessor de Selassie à frente do Departamento Africano, cuja liderança será crucial em períodos de recuperação económica e reformas estruturais no continente.
Teve um papel relevante no programa de assistência financeira do FMI a Angola, iniciado em 2018, através de um Acordo de Facilidade de Financiamento Ampliado (EFF), no valor de cerca de 3,7 mil milhões de dólares. Nesse contexto, participou em missões técnicas, avaliações regulares e diálogo político com o Governo angolano, sobretudo sobre consolidação orçamental, dívida pública, reformas económicas, política cambial e estabilidade macroeconómica.
Foi também uma das vozes do FMI a reconhecer publicamente os esforços de ajustamento económico de Angola, em particular durante os anos mais difíceis da pandemia.
Selassie também ganhou notoriedade em Portugal por ter sido um dos representantes do FMI na troika durante o ajustamento financeiro do país entre 2011 e 2014.