A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) movimentou 758,36 mil milhões de kwanzas em Agosto, num mês marcado por uma redução de 28,93% no volume negociado face a Julho, mas também por um aumento do número de operações realizadas no mercado.
Os dados constam do mais recente relatório mensal do Mercado de Capitais da Comissão do Mercado de Capitais (CMC) e mostram que o mercado realizou 8.575 operações durante o mês, mais 32,33% do que em Julho. O aumento do número de negócios, acompanhado por uma redução do montante transaccionado, revela operações de menor dimensão média.
A actividade continuou fortemente concentrada nos títulos de dívida pública. As Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis (OT-NR) movimentaram 648,48 mil milhões de kwanzas, correspondentes a 85,51% do volume total negociado na BODIVA. O montante representa uma redução de cerca de 34% relativamente aos 987,9 mil milhões de kwanzas transaccionados em Julho.
As acções movimentaram, por sua vez, 61,05 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 8,05% do total, enquanto as obrigações em moeda externa representaram 6,29%.
Capitalização bolsista recua 8,85%
A correcção foi mais evidente no mercado accionista. A capitalização bolsista recuou 8,85% em Agosto, para 5,71 biliões de kwanzas, uma redução superior a 550 mil milhões de kwanzas num único mês.
Todas as empresas cotadas registaram desvalorizações durante o período. A ENSA Seguros apresentou a maior queda, de 20%, seguida pelo BCGA, com menos 15,67%, pela UNITEL, que recuou 10,97%, pelo BAI, com uma descida de 8,04%, e pelo BFA, que perdeu 4,74%. As acções da própria BODIVA desvalorizaram 3,46%.
Apesar da correcção mensal, a comparação anual apresenta um quadro bastante diferente. A capitalização bolsista registou um crescimento de 207,52% face a Agosto de 2025, reflectindo sobretudo a entrada de novas empresas no mercado accionista.
UNITEL influencia comportamento do mercado
A evolução de Agosto surge depois da forte procura registada em Julho, mês em que as acções da UNITEL começaram a ser negociadas na BODIVA na sequência da oferta pública de venda.
A entrada da maior operadora de telecomunicações do país aumentou significativamente a actividade do mercado accionista e contribuiu para a expansão da base de investidores. A correcção verificada em Agosto pode, neste contexto, ser interpretada como uma normalização depois da elevada movimentação associada à operação da UNITEL.
O número de investidores que participaram nas negociações caiu, contudo, 33,95%, para 3.821, enquanto a abertura de novas contas na CEVAMA recuou 78,39%, para 1.218. A redução compara com um Julho excepcionalmente activo, marcado pela operação da UNITEL.
Investidores institucionais dominam mercado
A estrutura do mercado secundário continua igualmente marcada pelo forte peso dos investidores institucionais, que representaram 90,5% das transacções realizadas em Agosto. Os investidores não institucionais responderam por apenas 9,4%, menos 11,1 pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Entre os intermediários, a AUREA liderou as operações tanto do lado das compras, com uma participação de 42,4%, como das vendas, com 31,9%. O Banco Nacional de Angola ocupou a segunda posição, com 24,3% das compras e 28,3% das vendas.
Os números confirmam, assim, a crescente dimensão do mercado de capitais angolano, mas também evidenciam uma característica ainda estrutural: a forte dependência da negociação de títulos de dívida pública.
O desempenho de Agosto coloca igualmente em evidência a necessidade de aprofundamento do mercado accionista, através do aumento do número de empresas cotadas, da diversificação dos instrumentos financeiros e da maior participação dos investidores particulares.
A evolução da BODIVA deverá continuar a ser acompanhada de perto nos próximos meses, sobretudo depois da entrada da UNITEL e da expansão registada na capitalização bolsista. O desafio passa agora por transformar o crescimento registado no mercado de capitais numa dinâmica mais regular e diversificada, reduzindo a concentração nas operações de dívida pública e aumentando o peso do financiamento empresarial através da bolsa.