O Banco Nacional de Angola anunciou a conclusão da transição do sistema de pagamentos doméstico para o padrão internacional de mensagens financeiras ISO 20022, um passo que o banco central apresenta como reforço de compliance e analistas veem como fim de um isolamento tecnológico histórico do sector.
O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou a conclusão da migração do sistema de pagamentos domésticos para o padrão internacional de mensagens financeiras ISO 20022. A transição, coordenada pelo banco central em parceria com a EMIS, a BODIVA e a banca comercial, tem como objectivo elevar o nível de compliance do sector financeiro nacional, alinhando a transmissão de dados de Luanda com os requisitos de conformidade exigidos nas principais praças financeiras globais.
Na prática, o novo padrão substitui as antigas mensagens de pagamento, limitadas por ficheiros estruturados em XML, passando a permitir que dados fiscais, facturas e identidades circulem integrados em cada transferência.
Para o economista e analista de mercados Pedro Sebastião, a mudança retira o sistema financeiro angolano de um isolamento tecnológico histórico. O analista considera que a medida reduz o risco reputacional junto dos correspondentes bancários internacionais e reforça, em tempo real, a protecção das operações contra fraude e branqueamento de capitais.
Um processo em curso há vários meses
A migração para o ISO 20022 insere-se num esforço mais amplo de modernização dos sistemas de pagamentos angolanos que o BNA vinha a conduzir desde o início do ano. Já em Maio, o banco central tinha sinalizado publicamente que analisava a modernização dos seus sistemas de pagamentos, e consultores que assessoraram o sector recomendavam, no final de 2025, um <cite index=”7-1″>cronograma faseado de migração para o ISO 20022, com supervisão trimestral do BNA</cite>, alinhado com padrões internacionais de referência, como os do GAFI, do Comité de Basileia e da CPMI-IOSCO.
O sistema de pagamentos angolano tem passado, nos últimos anos, por sucessivas actualizações regulamentares — da introdução de cartões com chip pela EMIS à publicação, pelo BNA, de novos avisos para a normalização das operações de pagamento, no quadro da Lei n.º 40/20 sobre o Sistema de Pagamentos de Angola. A adopção do ISO 20022 surge como mais uma etapa desse processo, num momento em que o país regista também uma trajectória de desaceleração da inflação e de ajustamento da política monetária conduzida pelo BNA.
Para o sector bancário, a adopção deste padrão tende a facilitar a interoperabilidade com bancos correspondentes estrangeiros e a reduzir os custos e a fricção associados a operações transfronteiriças, num contexto em que a integração financeira internacional continua a ser apontada como prioridade para a economia angolana.