Economia

BNA avisa que “a batalha” da inflação ainda não está ganha, apesar de preços abaixo dos dois dígitos

O governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, considerou que a desinflação está suficientemente consolidada para permitir baixar os juros, mas não ao ponto de dar o combate por terminado. O banco central prevê uma inflação em torno de 8% no final do ano e reviu o crescimento económico para 6,15%.

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, afirmou na quinta-feira que “a batalha” da inflação ainda não está ganha, embora esteja “suficientemente consolidada” para permitir a flexibilização da política monetária.

O governador falava na abertura da Conferência Internacional sobre Desinflação Sustentável e Credibilidade da Política Monetária, que assinalou em Luanda os 50 anos do BNA.

O banco central projecta uma inflação em torno de 8% no final de 2026. Segundo o governador, a descida dos preços “não foi alcançada por atalhos”: resultou de uma política monetária rigorosa, associada a uma comunicação orientada para ancorar as expectativas de inflação.

Manuel Tiago Dias reafirmou ainda que o Comité de Política Monetária reviu em alta a previsão de crescimento da economia para 2026, para 6,15%.

De 15,7% para pouco mais de 8%

A descida da inflação tem sido rápida. Em Dezembro de 2025, a inflação homóloga estava nos 15,7%. Em Abril de 2026, caiu para 11,58%, o valor mais baixo desde Agosto de 2015. Em Junho, ficou nos 10,11% e, em Agosto, passou para um dígito, com 8,78%. Segundo os dados publicados pelo BNA, a taxa mais recente é de 8,43%.

A trajectória permitiu ao banco central cortar sucessivamente os juros. A taxa BNA desceu de 17,5% em Janeiro para 17% em Maio, 15,75% em Julho e 14,75% em Setembro.

No encerramento da conferência, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, que governou o BNA entre 2010 e 2015 e entre 2017 e 2023, lembrou que o país viveu, nos primeiros 50 anos de independência, períodos recorrentes de inflação elevada, incluindo hiperinflação.

Massano sublinhou que cerca de 56% do Índice de Preços no Consumidor tem origem nos bens alimentares e nas bebidas não alcoólicas, o que torna a produção agrícola nacional decisiva para consolidar a desinflação.

“A soberania monetária não é um ponto de chegada, mas uma tarefa diária que se cumpre com rigor, responsabilidade e confiança”, afirmou o governador do BNA.

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