Mercado & Finanças

Bancos britânicos discutem alternativa ao Visa e Mastercard e ponderam a criação de nova empresa 

Os principais bancos do Reino Unido vão discutir a criação de uma alternativa nacional aos sistemas de pagamento dominados pela Visa e pela Mastercard, perante receios crescentes de que infra-estruturas financeiras controladas por empresas norte-americanas possam ser vulneráveis a decisões políticas externas.

O encontro será presidido por Vim Maru, director-executivo do Barclays no Reino Unido, e reunirá financiadores da City de Londres dispostos a suportar os custos iniciais de uma nova empresa de pagamentos. O objectivo é garantir o funcionamento da economia britânica caso surjam falhas ou interrupções nos sistemas actuais.

A iniciativa, financiada pelo sector financeiro e apoiada pelo governo, está em discussão há vários anos. Contudo, recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo ameaças dirigidas a aliados da NATO no contexto da Gronelândia, intensificaram preocupações sobre a dependência do Reino Unido de empresas norte-americanas para serviços críticos.

Segundo um relatório de 2025 do regulador britânico de sistemas de pagamentos, cerca de 95% das transacções com cartão no Reino Unido são processadas através da Visa e da Mastercard. Esta predominância tornou-se ainda mais relevante à medida que o uso de dinheiro físico continua a diminuir no país.

Um executivo familiarizado com o projecto afirmou que desligar estes sistemas equivaleria a “fazer regressar o país aos anos 1950”, quando as empresas dependiam exclusivamente de numerário. “Precisamos, naturalmente, de um sistema de pagamentos soberano”, acrescentou.

O impacto potencial de uma interrupção seria significativo. Na Rússia, onde cerca de 60% dos pagamentos dependiam da Visa e da Mastercard, sanções norte-americanas que levaram à suspensão dos serviços deixaram muitos cidadãos sem acesso a fundos e incapazes de realizar compras.

Preocupações semelhantes têm sido levantadas na União Europeia. Aurore Lalucq, presidente da comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, alertou recentemente para a dependência de empresas norte-americanas num serviço essencial. “O problema urgente é o nosso sistema de pagamentos. Trump pode desligar tudo”, afirmou, defendendo a criação de uma infra-estrutura europeia própria.

Ao contrário da UE, o Reino Unido adota uma abordagem menos confrontacional. Tanto a Visa como a Mastercard participam na iniciativa e integram o grupo de financiadores, ao lado de instituições como Santander UK, NatWest, Nationwide Building Society, Lloyds Banking Group, a rede de caixas automáticos Link e a Coventry Building Society.

As autoridades britânicas sublinham a necessidade de um sistema de reserva, mas evitam apontar explicitamente ameaças políticas externas como motivação.

Num discurso recente, Sarah Breeden, vice-governadora do Bank of England (BoE), afirmou que um novo canal de pagamentos poderia reforçar a resiliência do sistema face a riscos operacionais e cibernéticos.

Joe Garner, antigo diretor-executivo da Nationwide e conselheiro governamental para a estratégia nacional de pagamentos, defendeu que a modernização da infra-estrutura é necessária independentemente da conjuntura política. “O Reino Unido precisa de fazer isto. Precisávamos antes e precisamos agora. Não creio que os acontecimentos recentes tenham alterado essa necessidade”, afirmou Garner.

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