O Banco Mundial publicou o International DebtReport (IDR) 2025, a sua mais recente análise anual sobre a evolução da dívida externa dos países de baixo e médio rendimento. A edição deste ano reúne dados referentes ao final de 2024 e traça o panorama macro-económico e de endividamento para 2025 e anos seguintes, reforçando a urgência de melhorar a transparência e a sustentabilidade das dívidas públicas.
O IDR, publicado há cinco décadas, continua a ser uma das principais referências globais sobre estatísticas e tendências da dívida externa, apoiado no Debtor Reporting System (DRS), o sistema de reporte adotado pelos países devedores junto do Banco Mundial. Ao longo dos anos, esta plataforma tem permitido acompanhar a evolução dos padrões de financiamento, o surgimento de novos instrumentos de crédito e o impacto de iniciativas internacionais destinadas a aliviar o peso da dívida nos países mais vulneráveis.
Economia angolana cresce, mas pressão da dívida continua a limitar investimento público
Angola entrou em 2025 com sinais mistos na sua situação económica: apesar de ter registado um crescimento robusto em 2024 e de continuar a reduzir a dívida pública em proporção do PIB, os encargos financeiros permanecem elevados e continuam a limitar o espaço orçamental do país.
Segundo o Banco Mundial, a economia angolana cresceu cerca de 4,4% em 2024, impulsionada pela recuperação do sector petrolífero e pelo desempenho positivo das actividades não petrolíferas, como agricultura, comércio e mineração. A estabilização cambial e a diminuição das importações de combustíveis refinados contribuíram para que a conta corrente apresentasse um saldo positivo.
A dívida pública continua a descer, situando-se ligeiramente acima dos 60% do PIB no final de 2024, uma redução significativa face aos níveis superiores a 100% registados em 2020. O Banco Africano de Desenvolvimento confirma esta tendência e sublinha que a disciplina fiscal e a valorização do kwanza contribuíram para aliviar a pressão sobre o endividamento.
No entanto, o cenário não está isento de riscos. Apesar da redução do rácio dívida/PIB, o serviço da dívida — pagamentos de juros e amortizações — continua a absorver uma parte significativa dos recursos do Estado. Em 2026, este encargo poderá representar quase metade do orçamento, segundo estimativas avançadas por agências internacionais, o que compromete margens para investimento em sectores sociais e infraestruturas.
O Fundo Monetário Internacional reviu também em baixa a previsão de crescimento para 2025, que deverá rondar 2,1%, abaixo do ritmo necessário para acompanhar o crescimento populacional. A dependência da economia em relação ao petróleo permanece uma vulnerabilidade central, num contexto de volatilidade dos preços internacionais do crude.
Em paralelo, o governo angolano tem vindo a negociar com o Banco Mundial um mecanismo de troca de dívida por investimento (“debt-for-development swap”), que poderá aliviar parte do fardo financeiro e abrir espaço para projectos de desenvolvimento.
Apesar dos progressos na gestão macroeconómica, os organismos internacionais alertam que a consolidação das finanças públicas, a diversificação económica e a redução da pobreza exigem políticas consistentes e reformas estruturais. A trajetória positiva recente demonstra capacidade de recuperação, mas a sustentabilidade económica de Angola dependerá, nos próximos anos, do equilíbrio entre estabilização financeira e crescimento inclusivo.
O Banco Mundial afirma que o reforço da transparência, aliado a políticas económicas sustentáveis, será determinante para que os países de baixo e médio rendimento consigam gerir a sua dívida de forma mais eficaz e preservar espaço fiscal essencial para o investimento social e económico.