O representante residente do Banco Mundial em Angola, Juan Carlos Alvarez, defendeu que o país deve apostar no financiamento privado do agronegócio para acelerar a diversificação económica, essencial ao crescimento e ao desenvolvimento sustentável.
O representante residente do Banco Mundial em Angola defendeu que o país tem de apostar no financiamento privado do agronegócio para acelerar a diversificação económica, considerada essencial para garantir o crescimento e o desenvolvimento sustentáveis.
“A agricultura é um dos motores para apoiar a diversificação, mas não a agricultura familiar. Temos de mudar para a agricultura comercial, o agronegócio, com investimento privado”, afirmou Juan Carlos Alvarez, em entrevista à agência Lusa.
Questionado sobre de que forma o Banco Mundial pode apoiar o Governo nos esforços de diversificação económica — que a generalidade dos analistas considera indispensável para um crescimento robusto e menos dependente das flutuações do petróleo —, Alvarez sublinhou que é fundamental criar um ambiente favorável ao investimento privado.
“O que precisamos de fazer é apoiar o Governo na criação de um ambiente propício para atrair investimento privado no agronegócio, porque é nessa área que Angola já estava posicionada há 40 anos. O país tem muito potencial de produção agrícola, diversidade geográfica, recursos hídricos e bons solos. Pode, portanto, alavancar todas as oportunidades que o sector oferece”, explicou.
Para o Banco Mundial, a agricultura não deve ser vista apenas como um sector produtivo, mas como uma base industrial capaz de sustentar a transformação económica de Angola.
“Estamos a ver como podemos aproveitar a experiência do Grupo Banco Mundial (MIGA, IFC, entre outros) para melhorar as cadeias de valor no sector agrícola, de modo que não se limite à produção alimentar. Queremos apoiar o Governo também na segurança alimentar e na exportação, passando da manufatura à exportação de produtos transformados — o que gera empregos, reforça o capital humano e melhora a qualidade de vida”, sublinhou o responsável.
Juan Carlos Alvarez dividiu o envolvimento do Banco Mundial em Angola em dois períodos distintos, que coincidem, em grande medida, com a chegada de João Lourenço à Presidência da República.
“O envolvimento do Banco Mundial começou em 1994, quando Angola aderiu como país membro, mas só recentemente aumentou. Havia a perceção de que éramos apenas financiadores, e alguns países não estavam interessados nessa parte financeira, o que deixava de fora o diálogo sobre políticas públicas”, explicou.
Segundo Alvarez, a partir de 2019 o relacionamento entre o Banco Mundial e Angola entrou numa nova fase.
“Começámos um envolvimento diferente. Para podermos financiar e oferecer o nosso conhecimento, era necessário ganhar a confiança da contraparte — o Governo —, e isso foi conseguido. Passámos então a discutir políticas económicas e reformas estruturais que vão além do financiamento”, afirmou.
O objectivo geral do Banco Mundial, disse ainda, é “ir além do financiamento de infra-estruturas e construir uma relação de diálogo sobre políticas públicas, nas quais o Banco possa contribuir”.
Recordou também que Angola “não tinha grande experiência com instituições financeiras internacionais”, uma vez que, durante o período de crescimento do petróleo, “não precisava recorrer aos mercados internacionais”.
“A economia estava baseada no petróleo e vivia-se um boom, por isso não havia necessidade de recorrer a financiamento externo. Mas, com a crise petrolífera de 2014, o cenário mudou. O país começou a aproximar-se do Banco Mundial, a conhecer melhor o que podia oferecer e, a partir de 2018 e 2019, o relacionamento evoluiu para uma fase de maior cooperação e partilha de conhecimento”, concluiu o representante do Banco Mundial em Angola.