O Banco Angolano de Investimentos (BAI) iniciou esta semana a Oferta Pública de Subscrição (OPS) das suas Obrigações Sustentáveis, numa operação que marca a entrada da primeira empresa angolana no segmento de obrigações sustentáveis no mercado de capitais nacional.
A oferta teve início às 8h00 de 24 de Agosto e permanecerá aberta até às 15h00 de 14 de Setembro de 2026. O montante inicial da emissão é de 50 mil milhões de kwanzas, correspondente a cinco milhões de obrigações com valor nominal unitário de 10 mil kwanzas. O prospecto prevê ainda a possibilidade de colocação de um lote suplementar de até 7,5 mil milhões de kwanzas, elevando o montante potencial da operação para 57,5 mil milhões de kwanzas.
Designada “BAI Senior Unsecured Sustainability Bond – Série A – 17% 2026-2029”, a emissão apresenta uma taxa anual nominal bruta fixa de 17% e maturidade de três anos. Os juros serão pagos semestralmente, estando previsto o reembolso do capital em Setembro de 2029.
A operação assume particular relevância por combinar a captação de recursos no mercado de capitais com o financiamento de iniciativas enquadradas em critérios de sustentabilidade. Segundo a documentação divulgada, os recursos destinam-se a projectos e actividades com impacto ambiental e social positivo, numa tentativa de aproximar o financiamento empresarial das novas exigências de sustentabilidade.
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) registou a oferta e publicou o respectivo prospecto, classificando a emissão como BAI Senior Unsecured Sustainability Bond – Série A – 17% 2026-2029. A operação prevê igualmente a admissão das obrigações à negociação em mercado de bolsa.
Uma operação inédita no mercado angolano
A emissão representa um novo passo na diversificação dos instrumentos disponíveis no mercado de capitais angolano. A ÁUREA – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários, que estrutura e intervém na operação, considera a emissão um marco para o desenvolvimento das finanças sustentáveis em Angola.
A operação conta ainda com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com a participação do ALCB Fund como investidor-âncora institucional internacional, segundo informação divulgada pela ÁUREA.
A presença de um investidor institucional estrangeiro é particularmente relevante para um mercado que procura aumentar a participação de capital privado e institucional e criar condições para novas formas de financiamento da economia.
A emissão surge também num momento de expansão do mercado obrigacionista angolano. Em Janeiro deste ano, uma anterior emissão de obrigações do BAI recebeu procura superior à oferta: foram procuradas 4.228.296 obrigações, contra duas milhões disponibilizadas, tendo sido alocado um montante de 50 mil milhões de kwanzas.
Investidores têm nova alternativa
Para os investidores, as Obrigações Sustentáveis BAI oferecem uma alternativa aos tradicionais depósitos bancários e outros instrumentos de dívida, com remuneração fixa de 17% ao ano e possibilidade de negociação posterior em bolsa, sujeita às condições do mercado.
Contudo, o BAI alerta que se trata de uma obrigação sénior, não garantida, sem garantia real específica. O pagamento de juros e do capital depende, por isso, da capacidade financeira do emitente. A taxa de 17% é uma taxa anual nominal bruta, estando a rentabilidade efectiva dependente do regime fiscal aplicável, comissões e outros encargos.
Foto: Luís Lélis- Presidente do BAI