Bancos confirmam instabilidade em linhas de apoio, terminais de pagamento e serviços digitais, na sequência do ataque que deixou milhões de clientes da operadora sem rede
A Unitel, maior operadora de telecomunicações do país, foi alvo, na madrugada desta terça-feira, dia 28 de Julho, de um ataque cibernético à sua infraestrutura tecnológica — um incidente que paralisou os serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional e que já se repercute nos serviços de várias instituições que dela dependem, entre as quais o Banco Millennium Atlântico e o Banco Angolano de Investimentos (BAI).
Segundo comunicado da operadora, a ocorrência foi registada cerca das 2h20 e afecta, potencialmente, os seus mais de 20,8 milhões de clientes. A Unitel adianta ter accionado de imediato os mecanismos de resposta e contenção, encontrando-se as equipas técnicas e de cibersegurança a trabalhar na mitigação dos efeitos do incidente e na reposição integral dos serviços. Até ao momento, a operadora ainda não se pronunciou publicamente sobre a origem exacta da falha.
Millennium Atlântico confirma impacto em vários serviços digitais
Por seu turno, o Millennium Atlântico veio, em nota própria dirigida aos seus clientes, dar conta de que se encontra a acompanhar de forma contínua a indisponibilidade registada na rede de um dos principais provedores de comunicações do país — situação que, segundo se apurou, decorre precisamente do ataque sofrido pela Unitel.
A instituição bancária refere que o incidente está a afectar alguns dos serviços que dependem desta conectividade, designadamente:
os Terminais de Pagamento Automático (TPAs) ligados à rede da Unitel;
a confirmação de operações por mensagem SMS através do Atlântico Directo;
o serviço *400#Agiliza.
Não obstante os constrangimentos, o Millennium Atlântico garante que o seu Centro de Contactos permanece a funcionar em regime permanente, vinte e quatro horas por dia, através do número 226 460 460, comprometendo-se a manter os clientes informados até ao pleno restabelecimento da normalidade operacional.
BAI regista instabilidade na Linha de Apoio e disponibiliza contacto alternativo
Também o BAI informou os seus clientes de que alguns dos seus serviços registam instabilidade, na sequência do mesmo ataque informático. Entre os serviços afectados está a Linha de Apoio BAI (924 100 100). Como alternativa, o banco disponibilizou já um novo contacto: 226 420 990.
O BAI garante estar “a acompanhar de perto a situação”, com vista à normalização dos serviços o mais brevemente possível.
Um efeito em cadeia sobre o sistema financeiro
Na prática, clientes de ambos os bancos que dependam da rede móvel da Unitel para validar transacções, contactar as respectivas linhas de apoio, efectuar pagamentos em TPA ou aceder a serviços via código USSD podem estar a sentir dificuldades acrescidas nas suas operações bancárias do dia-a-dia, num momento em que a indisponibilidade da rede se prolonga já para além das 24 horas. O caso do Millennium Atlântico e do BAI ilustra bem como a interrupção de uma única infraestrutura de telecomunicações pode gerar um efeito em cadeia sobre outros sectores críticos da economia, com particular destaque para o sistema financeiro, que depende fortemente da conectividade móvel para garantir o funcionamento de serviços de pagamento, autenticação e apoio ao cliente.
Um incidente em vésperas da estreia da Unitel em Bolsa
Refira-se que o incidente na rede da Unitel ocorre na véspera da estreia da operadora na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), agendada para esta quarta-feira, na sequência do processo de privatização parcial de 15% do capital social da empresa, e tem provocado fortes constrangimentos junto de clientes particulares e empresariais em todo o país — um efeito que, como demonstram os casos do Millennium Atlântico e do BAI, ultrapassa largamente o universo dos utilizadores directos da operadora, atingindo também instituições financeiras e outros serviços que dependem da sua infraestrutura de conectividade para funcionar em pleno.