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APEPA movimenta 100 milhões USD por ano na exportação de rochas ornamentais

A Associação dos Produtores, Transformadores, Comercializadores e Exportadores de Rochas Ornamentais de Angola (APEPA) movimenta anualmente cerca de 100 milhões USD em receitas provenientes da exportação e transformação de rochas ornamentais.

A actividade reúne 21 empresas do subsector e garante mais de seis mil empregos directos, com impacto no sustento de mais de um milhão de pessoas.

Em entrevista à ANGOP, o presidente da APEPA, Marcelo Siku, afirmou que esta movimentação financeira tem efeito directo na economia nacional.

Explicou que a associação procura consolidar a presença nos mercados africanos, com protocolos já ratificados com a Tanzânia, República Democrática do Congo (RDC) e Rwanda.

A cooperação mais avançada está com a África do Sul e Namíbia, que já recebem produtos da associação.

Segundo Siku, os filiados produzem cerca de 750 mil toneladas de rochas por ano, das quais 600 mil são exportadas em bruto, correspondendo a 90% da exploração.

Os principais destinos incluem China, Itália, Portugal, Espanha, França, Índia, Singapura, Taiwan, Eslovénia e Polónia.

Apenas 10% da produção é absorvida pelo mercado interno devido ao baixo consumo nacional.

Das 21 empresas associadas, oito operam nas províncias da Huíla, Namibe, Benguela, Huambo e Luanda, produzindo cubos de granito, chapas polidas e não polidas, bancadas, materiais para cozinha e campas funerárias.

A maior parte deste material é destinada ao consumo interno, sendo exportadas sobretudo chapas para Portugal, França, China, Índia e Polónia.

Marcelo Siku referiu que o grupo tem investido na transformação local de granito e mármore, embora ainda em pequena escala.

Sublinhou que a APEPA procura fortalecer a cooperação internacional, promover produtividade competitiva e atrair investimento privado por via de parcerias público-privadas.

Entre os principais desafios, destacou a falta de infra-estruturas geológicas adequadas. O único laboratório na Região Sul não está operacional, obrigando os operadores a enviarem amostras para o exterior, nomeadamente Espanha.

Referiu também que a actual carta geológica não dispõe de suporte técnico detalhado, dificultando o trabalho no terreno.

A associação enfrenta ainda dificuldades ligadas ao mau estado das estradas, limitações no transporte ferroviário de blocos, falta de energia e água nas minas, custos elevados de extração e transporte, burocracia na tramitação de licenças e carga parafiscal elevada.

A emissão centralizada de guias de exportação em Luanda também constitui um entrave, apesar de ser realizada em 24 horas.

Outro problema apontado é a ausência de cadastro mineiro, que impede os operadores de identificar corretamente as zonas de exploração.

A APEPA propõe um programa de redução de custos, reestruturação do mercado interno, eliminação de pontos críticos de despesa, redução da carga fiscal e parafiscal, revisão das taxas portuárias e maior transparência e rapidez no licenciamento.

A associação foi formalizada em 2023, após um processo iniciado em 2016, e integra actualmente empresas das províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Cuanza Sul, Huambo e Benguela.

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