O Governo angolano lançou esta semana uma iniciativa ambiciosa para mobilizar cerca de 4,1 mil milhões USD com vista à construção de uma linha ferroviária que ligará o país à vizinha Zâmbia, inserida no projecto do Corredor do Lobito.
Segundo o ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas de Abreu, a nova linha, com cerca de 800 km de extensão, permitirá ligar o terminal ferroviário angolano em Luacano até à rede existente na Zâmbia, reforçando o papel de Angola como plataforma logística regional.
Atrair investimento privado e financiamento internacional para um projecto de larga escala, que deverá transformar a rede de infra-estruturas de transporte de Angola e da região, é um dos pressupostos, outro é promover o escoamento de mercadorias das zonas mineiras da Zâmbia via porto do Porto do Lobito, no litoral angolano, reduzindo distâncias e custos logísticos, e um terceiro, passa por gerar efeitos positivos para a economia angolana: criação de emprego no âmbito da construção, aumento de carga transportada e estímulo aos sectores mineiro, agrícola e logístico.
O projecto prevê uma combinação de financiamento público-privado e concessão de exploração.
Já foram assinados acordos com a Africa Finance Corporation (AFC) e com parceiros internacionais para apoiar os estudos e a fase de construção.
O Governo realça que a prioridade é garantir que todos os requisitos ambientais e sociais sejam satisfeitos, em linha com as melhores práticas internacionais.
A mobilização de 4,1 mil milhões USD representa um desafio significativo num contexto em que os fluxos de investimento são competitivos e requerem alto grau de credibilidade, transparência e retorno para os investidores.
Além disso, a execução de uma linha de 800 km implica uma logística complexa – obras de engenharia, aquisição de material circulante, coordenação transfronteiriça e manutenção ao longo do tempo.
Do ponto de vista nacional, o Governo deve garantir que o projecto contribua efectivamente para o desenvolvimento económico e social, evitando que se torne apenas mais uma infraestrutura de perfil elevado sem impacto directivo na vida quotidiana das comunidades.
Se for bem-sucedida a captação dos fundos e a subsequente construção, Angola poderá reforçar o seu papel como hub de transporte e exportação para a África Austral.
O Corredor do Lobito assumiria ainda maior centralidade, potenciando o acesso das riquezas da Zâmbia ao Atlântico e contribuindo para a integração regional.