Embaixadora angolana em Itália conta com o apoio da SADC e da União Africana. Vai disputar o cargo com candidatos europeus. A eleição está marcada para o Verão de 2027.
Angola oficializou na segunda-feira, 12 de Outubro, em Roma, a candidatura da embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), para o mandato 2027-2031.
A cerimónia decorreu na sede da FAO, num evento organizado por Angola à margem do Fórum Mundial da Alimentação. A campanha foi lançada pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e conta com o apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Africana.
O Presidente da República, João Lourenço, participa no fórum. Segundo o porta-voz da Presidência, Luís Fernando, a deslocação a Roma tem como objectivoreforçar o apoio à candidatura.
No lançamento, Téte António defendeu uma FAO que ponha a ciência, a inovação e a tecnologia ao serviço da agricultura. Josefa Sacko apresentou como prioridades o empoderamento económico das mulheres e dos jovens. Quando a candidatura foi apresentada em Luanda, a diplomata já tinha apontado a descentralização da organização como um dos principais objectivos.
O Governo angolano considera que a visão da candidata pode aproximar a FAO das necessidades concretas dos Estados-membros. O chefe da diplomacia angolana sublinhou que a candidatura reflecte o compromisso com uma participação africana mais activa na direcção das organizações internacionais.
Um percurso entre o café e a União Africana
Josefa Sacko é engenheira de formação e actualmente embaixadora de Angola em Itália e representante permanente junto das agências das Nações Unidas sediadas em Roma: a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Alimentar Mundial (PAM).
Ao longo da carreira, representou Angola na Organização Internacional do Café, foi secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café e foi comissária da União Africana.
A candidatura foi lançada oficialmente em Luanda a 2 de Abril. Antes disso, Angola tinha-a submetido ao Comité de Candidaturas da União Africana, em Fevereiro, durante o Conselho Executivo da organização em Adis Abeba.
Concorrência europeia
A eleição só se realiza no Verão de 2027, quando termina o segundo mandato do actual director-geral, o chinês Qu Dongyu, que não pode recandidatar-se. O mandato tem quatro anos e pode ser renovado uma vez.
Josefa Sacko vai enfrentar pelo menos três candidatos europeus. Espanha anunciou em Março a candidatura do ministro da Agricultura, Luis Planas. Itália propôs Maurizio Martina, actual director-geraladjunto da FAO, e a Irlanda o antigo comissário europeu da Agricultura Phil Hogan.
Os europeus reivindicam o lugar por serem os maiores contribuintes da FAO e não terem um director-geral há mais de meio século. Os ministros da Agricultura da União Europeia defenderam já um candidato comum.