Inovação & Negócios

Angola confiante na compra da maioria da De Beers

Governo angolano lidera negociações para criar uma frente africana no controlo da maior diamantífera mundial 

A compra de uma participação maioritária na diamantífera De Beers está em bom caminho, assegura o secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Victor. Angola apresentou em Setembro uma proposta para adquirir parte das acções detidas pela Anglo American, que está a avaliar as ofertas recebidas.

“Angola está confiante”, afirmou o governante, à margem da apresentação do balanço da produção e comercialização diamantífera no primeiro semestre de 2025.

De acordo com Jânio Corrêa Victor, o objetivo é que os principais países africanos produtores de diamantes — Angola, Botsuana, Namíbia e África do Sul — unam esforços para reforçar o controlo sobre o setor.

“É um desejo de Angola adquirir algumas ações da De Beers, no sentido de que os países africanos, que são os maiores produtores a nível mundial, façam uma frente comum para o controlo dessa grande multinacional”, explicou.

O secretário de Estado para os Recursos Naturais sublinhou que o Executivo angolano pretende evitar que a De Beers “caia em mãos especulativas”, garantindo um “tratamento adequado ao diamante natural”.

Sem revelar detalhes sobre as negociações, Jânio Corrêa Victor adiantou que os países africanos serão “os principais beneficiários” da operação.

“Seria mais saudável que os quatro países constituíssem uma frente. Essa frente teria um impacto significativo no mercado mundial de diamantes — esse é o nosso desejo”, afirmou.

O governante confirmou que o processo decorre normalmente.

“A Anglo American, que detém 85% da De Beers, está neste momento a avaliar todas as solicitações e vamos aguardar, mas estamos confiantes”, acrescentou.

Em Setembro, Governo angolano manifestou interesse em adquirir uma participação minoritária estratégica, propondo a criação de um consórcio pan-africano com outros produtores de diamantes, como o Botsuana. Entretanto, este mês, a Endiama elevou a proposta para a compra da totalidade da participação da Anglo American.

Angola, que lidera em África — à frente do Botsuana — a produção de diamantes em termos de valor, pretende tornar-se o maior produtor mundial.

“Com muito orgulho podemos afirmar que Angola se consolida como uma fonte atrativa de diamantes brutos de qualidade gema, o que reforça a sua posição estratégica no mercado internacional”, concluiu Jânio Corrêa Victor.

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