Internacional

Ameaça de Trump à Nigéria pode abalar mercados energéticos e laços comerciais

A mais recente ameaça de Donald Trump à Nigéria, de uma possível intervenção militar norte-americana em resposta aos ataques contra comunidades cristãs, está a gerar inquietação não apenas no plano diplomático, mas também nos mercados globais.

A Nigéria, maior economia africana e um dos principais exportadores de petróleo do continente, pode tornar-se o novo foco de instabilidade com reflexos directos no comércio internacional e nos investimentos estrangeiros em África.

Através da plataforma Truth Social, o presidente dos Estados Unidos ordenou ao Pentágono que prepare “planos de ação rápida, brutal e certeira” contra o que classificou de “terroristas islâmicos”.

A escalada verbal recorda a retórica utilizada durante as crises com a Venezuela e o Irão, aumentando o receio de sanções económicas e disrupções no fornecimento de matérias-primas estratégicas.

Trump foi claro: os Estados Unidos suspenderão toda a ajuda financeira e poderão intervir militarmente caso o governo nigeriano “continue a permitir o assassínio de cristãos”.

A Nigéria é atualmente um dos principais beneficiários de programas norte-americanos de cooperação e segurança, incluindo o Foreign Military Financing e a assistência técnica do Departamento de Energia.

Segundo dados do Banco Mundial, a Nigéria recebeu mais de 1,2 mil milhões de dólares em ajuda bilateral e multilateral dos EUA entre 2021 e 2024.

A suspensão desse apoio teria impacto directo nas finanças públicas e no sector energético, num país que enfrenta uma crise cambial e forte pressão sobre as reservas de divisas.

A ameaça de corte de ajuda e eventual imposição de sanções poderá igualmente travar investimentos de empresas norte-americanas como a Chevron e a ExxonMobil, fortemente implantadas no delta do Níger.

O petróleo representa cerca de 90% das exportações nigerianas e 70% das receitas fiscais – qualquer perturbação neste sector pode repercutir-se nos preços globais do crude.

O conselheiro presidencial Daniel Bwala reagiu com prudência, afirmando que Abuja “aceita a ajuda dos Estados Unidos, desde que reconheçam a nossa integridade territorial”.

O presidente Bola Tinubu manifestou disponibilidade para se reunir com Trump, sublinhando o papel do ex-presidente norte-americano na venda de armamento à Nigéria durante o seu primeiro mandato.

Analistas contactados pela Reuters alertam que uma deterioração das relações entre os dois países poderá ter consequências económicas profundas.

“Uma crise diplomática com Washington colocaria pressão sobre a moeda nigeriana, o naira, e poderia agravar a fuga de capitais num contexto já fragilizado pela inflação e pela dívida pública”, afirmou o economista nigeriano Chinedu Okoye.

A violência inter-religiosa no país, concentrada sobretudo no Norte, tem contribuído para a insegurança e desvalorização de ativos agrícolas e mineiros. Segundo a ONG Intersociety, mais de sete mil cristãos foram mortos nos primeiros sete meses deste ano — números que, para Trump, justificam uma resposta “imediata e decisiva”.

Para já, os mercados aguardam. Mas o simples anúncio de “planos militares” em preparação já foi suficiente para provocar volatilidade nas bolsas africanas e pressão sobre os títulos de dívida soberana nigeriana.

A retórica de Trump volta a mostrar que, no xadrez global, as palavras de Washington continuam a ter peso, e custos, nos equilíbrios económicos do continente africano.

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