Os algoritmos das redes sociais desempenham um papel central na selecção dos conteúdos a que os utilizadores estão expostos, mas a responsabilidade pela propagação da desinformação é partilhada entre plataformas e utilizadores, num contexto marcado pela lógica de lucro, pela valorização de emoções fortes e pela baixa literacia mediática.
As plataformas digitais, cujo principal objectivo é maximizar receitas publicitárias, estruturam os seus sistemas algorítmicos para prolongar o tempo de permanência dos utilizadores, privilegiando conteúdos que geram maior interação. Estudos e especialistas apontam que mensagens que apelam à emoção, indignação ou exaltação tendem a captar mais atenção, sendo por isso mais promovidas pelos algoritmos.
Este funcionamento cria um ambiente propício à circulação de conteúdos enganosos ou falsos, fazendo da desinformação um efeito colateral do próprio modelo económico das redes sociais. Ao mesmo tempo, os comportamentos dos utilizadores — como cliques, partilhas e comentários — alimentam os algoritmos, influenciando aquilo que passa a ser mostrado com maior frequência.
Jovens e idosos surgem entre os grupos mais vulneráveis à manipulação algorítmica, seja por menor familiaridade com as tecnologias digitais, seja por dificuldades em reconhecer conteúdos enganosos. Especialistas alertam que a falta de literacia mediática agrava este cenário, defendendo a necessidade de maior educação digital, verificação de fontes e pensamento crítico no consumo de informação online.
Iniciativas de sensibilização e educação digital têm vindo a ser desenvolvidas em vários países, com o objectivo de explicar como funcionam os algoritmos e promover uma utilização mais consciente das redes sociais.