O Governo português tem nas mãos, desde a passada sexta-feira, o relatório sobre as manifestações de interesse de participação da privatização da TAP entregues pelos grupos Air France-KLM, a IAG [grupo que junta a British Airways e a Iberia] e a Lufthansa, avançam os media portugueses.
A privatização da companhia área portuguesa pode ter repercussões nas rotas e voos para o continente africano, nomeadamente, para Angola, para onde a TAP viaja diariamente.
Trata-se, por agora, apenas da certificação de que os candidatos estão aptos para avançar com a candidatura, ou seja, que cumprem os critérios e as condições necessárias para concorrer. Nem a Parpública, gestora das participações de empresas públicas em Portugal, nem o Governo, não fazem comentários sobre o assunto, uma vez em que ainda se está na fase de manifestação de interesse, não havendo ainda uma proposta de compra.
O relatório descreve os interessados que submeteram as respectivas declarações de manifestação de interesse e avalia o cumprimento dos requisitos de participação. Idoneidade, capacidade financeira, ser um operador aéreo certificado, com conhecimento e experiência técnica e de gestão no sector do transporte aéreo, e a detenção de um volume de negócios de no mínimo 5 mil milhões de euros em, pelo menos, um dos últimos três anos são os critérios requeridos. Requisitos que os três grupos, e ao que tudo indica, cumprem.
Certificação feita, o Governo tem 20 dias para convidar os candidatos a apresentar uma proposta não-vinculativa. Depois são mais 90 dias para que os candidatos entreguem a proposta com a apresentação do preço de aquisição e o plano industrial e estratégico que propõem para a TAP.
A escolha do vencedor deverá ocorrer em meados de 2026, segundo a expectativa do Governo, muito provavelmente, em Julho do próximo ano.
A eventual privatização da TAP poderá ter impacto directo nas ligações aéreas entre Portugal e África, concretamente para Angola, sobretudo no que respeita à manutenção de rotas e frequências. Com uma gestão orientada para a rentabilidade, a companhia poderá rever voos considerados menos lucrativos, privilegiando destinos africanos com maior procura e potencial económico, o que poderá traduzir-se na redução ou reconfiguração de ligações para alguns países.
Ainda assim, especialistas sublinham que a importância estratégica do mercado africano, em particular dos países lusófonos, bem como eventuais obrigações de serviço público impostas pelo Estado português, poderão atenuar os efeitos da privatização e garantir a continuidade das principais rotas.