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Água e saneamento são as prioridades para a União Africana, agora presidida pelo Burundi 

África enfrenta uma profunda crise de água e saneamento, com mais de 400 milhões de pessoas sem acesso a água potável e mais de 700 milhões sem saneamento, e, por isso, esse foi o tema do escolhido pela organização para as actividades do ano 2026.

A 39.ª cimeira da UA, em Adis Abeba, marcou a passagem da presidência da organização pelo Presidente João Lourenço para o Burundi, e o presidente da Comissão, Mahmoud Ali Youssouf, sublinhou que a agenda da União Africana beneficiou de “um novo elan” em 2025 para cumprir objectivos nas áreas sociais e políticas, mas também económico-financeira.

No discurso de abertura do evento, Ali Youssouf referiu-se à “fragilidade política de muitos países”, depois de já na reunião de ministros ter lamentado a situação na Guiné-Bissau, que está suspensa da União Africana devido ao golpe de Estado de Novembro, e também em Madagascar, e aos conflitos armados que não cessam no continente.

A fragilidade política de muitos países mostra “instabilidades que lembram os tempos obscuros do pós-independência”, afirmou perante os chefes de Estado e de Governo desta organização, composta por 55 países africanos.

Os desafios da UA “são desafios que conhecem e com os quais nos vossos países vos confrontais todos os dias”, afirmou, lembrando que são os povos as “vítimas da guerra, injustiça e deslocamentos” em tantas partes do continente, desde “o Sahel, à Somália, Sudão e República Democrática do Congo”.

África deve reforçar e avançar nos seus programas políticos e económicos, defendeu, fazendo avançar designadamente a Comunidade Económica Regional, para que o continente avance “para ser o grande bloco económico, para ser forte, autónoma e estável”, prosseguiu.

A nível económico e financeiro, insistiu ainda numa ideia já sublinhada no final de um encontro, com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em que “já não é opção (os países africanos) recorrerem ao investimento interno (…) e é urgente industrialização e usar os recursos energéticos do continente”.

Os chefes de Estado e de Governo da UA escolheram para esta cimeira a resiliência face aos riscos climáticos e o acesso a água potável e saneamento gerido de forma segura, mas o foco nos debates centra também na instabilidade política, nomeadamente na Guiné-Bissau, e conflitos armados no continente.

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