Mercado & Finanças

África pode reforçar o seu papel no mercado global se seguir os passos da Ásia

África poderá reforçar o seu crescimento económico nas próximas décadas se seguir um percurso semelhante ao trilhado pela Ásia, defende o analista britânico Joe Studwell no livro How Africa Works.

A obra sustenta que o continente está a tornar-se um actor central no desenvolvimento global, impulsionado pelo rápido crescimento populacional e por uma população maioritariamente jovem.

Segundo o autor, África acrescenta cerca de 300 milhões de pessoas por década e deverá atingir 2,5 mil milhões de habitantes até 2050, o equivalente a um quarto da população mundial. Num contexto em que outras regiões envelhecem, esta dinâmica demográfica poderá reforçar o papel africano no mercado global de trabalho e no consumo, bem como na produção cultural e de ideias.

Apesar do potencial, o continente continua a concentrar grande parte da pobreza mundial. Studwell atribui essa realidade, em parte, ao que designa por “colonialismo de baixo custo”, através do qual as potências europeias extraíram recursos, deixaram um número reduzido de elites educadas e traçaram fronteiras arbitrárias que originaram Estados etnicamente fragmentados.

O autor apresenta, contudo, um argumento menos convencional: a baixa densidade populacional histórica terá sido um dos factores que travaram o desenvolvimento africano. Ao contrário da Ásia — rica em mão-de-obra e pobre em terra durante a sua ascensão económica — África enfrentou obstáculos como doenças, escravatura, solos pobres e pragas agrícolas. Em 1975, a densidade populacional africana era comparável à da Europa do século XVI; até 2030 deverá atingir níveis semelhantes aos da Ásia em 1960.

Studwell reconhece que a relação entre densidade populacional e rendimento per capita não é directa, apontando que países densamente povoados como Burundi e Malawi permanecem entre os mais pobres. Ainda assim, argumenta que uma massa crítica de população é essencial para dinamizar mercados e sustentar o crescimento.

O livro destaca exemplos de crescimento económico notável em países como Botswana, Rwanda, Mauritius e Ethiopia, onde se formaram coligações políticas e sociais capazes de ultrapassar divisões étnicas e promover estratégias de desenvolvimento.

Na obra, o autor retoma ideias defendidas no seu livro anterior, How Asia Works, onde atribui o sucesso asiático à agricultura familiar produtiva, à industrialização orientada para exportações e à intervenção estatal no financiamento. Studwell considera que esta “receita” poderá igualmente beneficiar África, sendo que países como a Etiópia já adoptaram elementos deste modelo.

Embora alguns especialistas questionem a viabilidade de replicar o modelo asiático, defendendo maior foco em educação, demografia e governação, o contexto actual é visto como favorável. Em 2026, prevê-se que o crescimento do PIB africano ultrapasse o da região Ásia-Pacífico, impulsionado pela desaceleração chinesa e pela subida dos preços das matérias-primas.

Com investidores cada vez mais atentos ao continente e elites políticas pressionadas pelo desemprego juvenil, o crescimento económico surge não apenas como uma prioridade de desenvolvimento, mas como uma questão de estabilidade e sobrevivência política.

 

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