Nick, o “Rei da Música Tradicional”, lembrado oito anos depois da sua partida

 Nick, o “Rei da Música Tradicional”, lembrado oito anos depois da sua partida

O nome de Manuel Constantino, mais conhecido como Nick, continua a ocupar um lugar de destaque na história da música tradicional angolana.

O artista, falecido a 16 de Janeiro de 2015, aos 62 anos, é recordado como uma das vozes mais autênticas e carismáticas da cultura popular feita em Luanda.

Nascido a 25 de Setembro de 1952, na comuna do Limbi, município de Icolo e Bengo, Nick cresceu rodeado pelas tradições e pela língua kimbundu, que viriam a marcar de forma indelével a sua obra musical.

Depois de uma juventude passada entre o Catete e Luanda, iniciou-se profissionalmente como técnico de bate-chapas e, mais tarde, como gerente de restaurante.

Em 1980 fundou o Avó Kumbi, espaço que rapidamente se tornou um dos principais pontos de encontro cultural da capital, dando origem a iniciativas como o Cantinho do Artista e a Feira Avó Kumbi, mais tarde rebatizada como Feira Nova Vida e Feira do Divórcio.

O sucesso destes projectos valeu-lhe, em 1997, a distinção de “Rei da Música Tradicional” atribuída pelo então administrador do município do Kilamba Kiaxi.

Com uma voz inconfundível e presença marcante, ornamentada por panos, missangas e adereços típicos, Nick encantou públicos em Angola e no estrangeiro, actuando em países como Argélia, França, Zimbabué, Portugal e Congo Brazzaville.

Integrado no lendário agrupamento Kituxi e os Seus Acompanhantes, eternizou canções em kimbundu que continuam a inspirar gerações. Entre elas, destaca-se “Tunga Né”, uma composição em que aconselha as jovens a cultivarem paciência e compreensão nas relações, valorizando o diálogo e o convívio antes do casamento.

Falecido após complicações de saúde, Nick deixou um vasto legado artístico e familiar — foi pai de 27 filhos e avô de 55 netos.

Oito anos após o seu desaparecimento físico, o nome de Nick permanece vivo como símbolo da autenticidade e da riqueza da música tradicional angolana, uma referência incontornável do moderno folclore do país.