Mercado & Finanças

Conflito no Médio Oriente pode elevar petróleo a 130 USD

O ataque aéreo dos Estados Unidos a três instalações nucleares no Irão, na madrugada de domingo, aumentou a tensão nos mercados internacionais e poderá impulsionar o preço do petróleo para níveis não vistos desde 2022. 

Alguns analistas internacionais já admitem que o barril de Brent — referência para Angola — poderá atingir os 130 dólares, caso o conflito escale e leve ao encerramento do estratégico Estreito de Ormuz.

A operação militar norte-americana ocorre numa escalada do conflito iniciado por Israel, que atacou alvos nucleares iranianos em 13 de Junho.

Com a entrada directa dos EUA no conflito, os analistas esperam que o mercado reaja com volatilidade e pressão em alta.

“Os mercados vão ficar inicialmente preocupados e o petróleo vai abrir em alta”, disse Mark Spindel, director de investimentos da Potomac River Capital, à agência Reuters.

Segundo o especialista, a instabilidade geopolítica e o aumento da exposição norte-americana vão gerar incerteza e volatilidade, particularmente no mercado do crude.

Entre os principais receios está a possibilidade de uma retaliação iraniana com impacto nas infra-estruturas petrolíferas do Golfo Pérsico ou até o eventual bloqueio do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

A região é estratégica para exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait.

Saul Kavonic, analista de energia da MST Marquee, não descarta um cenário mais grave. “Muito depende da reacção do Irão nas próximas horas e dias, mas isto poderá colocar-nos na via dos 100 dólares por barril se o Irão reagir como ameaçou anteriormente”, afirmou.

Outros especialistas, como Jamie Cox, do Harris Financial Group, adoptam uma perspectiva mais moderada.

“Os preços do petróleo vão provavelmente subir com as primeiras notícias, mas podem estabilizar nos próximos dias, caso o Irão procure uma saída diplomática”, comentou.

O risco de encerramento do Estreito de Ormuz é, no entanto, apontado como o factor mais crítico.

O banco JP Morgan, por sua vez, também alertava para o impacto de uma escalada militar, mesmo antes do início dos ataques.

Em cenário extremo, os analistas apontavam uma faixa de preços entre 120 e 130 dólares por barril.

Independentemente da trajectória futura do conflito, a pressão inflacionista sobre a energia deverá limitar a capacidade dos bancos centrais de reduzir as taxas de juro.

O cenário global poderá, assim, tornar-se mais desafiante tanto do ponto de vista económico como financeiro.

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