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Dívida externa dos países em desenvolvimento atinge recorde de 9,4 biliões de dólares

Notas de dólar

A dívida externa dos países de rendimento baixo e médio subiu 5,5% em 2025, o maior aumento desde a pandemia, e os mais pobres pagam juros que não se viam desde o final dos anos 1980. O Banco Mundial alerta que o peso da dívida está a encarecer a alimentação, numa altura em que o El Niño agrava a seca.

A dívida externa dos países de rendimento baixo e médio atingiu o valor recorde de 9,4 biliões de dólares em 2025, anunciou na quinta-feira o Banco Mundial. Estas economias enfrentam os custos de financiamento mais elevados em décadas.

Segundo o Relatório Internacional da Dívida 2026, a dívida externa destes países cresceu 5,5% no ano passado, o ritmo mais rápido desde 2021 e mais de quatro vezes a média anual entre 2022 e 2024.

O aumento foi impulsionado sobretudo pelo regresso dos credores privados. Os empréstimos privados e as emissões de obrigações de entidades públicas subiram quase 35%, para 251 mil milhões de dólares, o nível mais alto em cinco anos.

Os mais pobres pagam mais

A dívida cresceu mais depressa nos países mais vulneráveis, os que são elegíveis para empréstimos em condições favoráveis da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), o braço do Banco Mundial para as economias mais pobres. Nestes países, a dívida externa subiu 8,1%, para 1,3 biliões de dólares.

São também estes países que pagam os juros mais altos: em 2025, os novos empréstimos privados que contraíram tiveram uma taxa média de 8,2%, o custo mais elevado desde 1989. Os países de rendimento médio emitiram obrigações a uma taxa média de 5,5%, abaixo dos 5,8% do ano anterior.

No total, os países de rendimento baixo e médio pagaram 1,4 biliões de dólares em capital e juros em 2025, o quinto aumento anual consecutivo. Os pagamentos a credores privados subiram 13,7%, para 363 mil milhões de dólares. Entre 2022 e 2025, estes países pagaram mais 436 mil milhões de dólares em serviço da dívida do que receberam em novos financiamentos.

“O regresso do crédito privado aos países de rendimento baixo e médio é bem-vindo, mas estes países estão a pedir mais emprestado, a pagar mais e, em muitos casos, a deixar menos para o desenvolvimento a longo prazo”, afirmou a estatística-chefe do Banco Mundial, Haishan Fu.

Dívida e fome

O relatório alerta que o peso da dívida pode reduzir o investimento em educação, saúde, infra-estruturas e emprego. Afecta também a segurança alimentar, sobretudo nos países que dependem de importações, onde a inflação e a subida dos preços da energia encarecem os fertilizantes.

“Os encargos da dívida podem estar estreitamente associados a uma diminuição da acessibilidade de uma alimentação saudável em períodos de tensão global”, refere o documento. Os países mais endividados tendem a ver mais pessoas sem capacidade para pagar uma dieta saudável quando chegam choques externos.

El Niño agrava a pressão

O fenómeno climático El Niño está a reduzir ainda mais a oferta de alimentos, ao agravar as secas, e vários governos estão a dar prioridade à segurança alimentar.

Na Índia, a monção mais fraca em mais de uma década levou os preços do milho e do açúcar a máximos históricos, e o país está a produzir menos etanol a partir destas culturas.

Apesar dos custos elevados, a procura de financiamento através de obrigações internacionais continuou forte no início de 2026, segundo o Banco Mundial.

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