Cultura

Residência artística Angola AIR fecha quatro semanas em Luanda com “open studios

O programa de residências Angola AIR apresenta esta sexta-feira, no Museu Nacional de Antropologia, o trabalho do artista brasileiro Caio Luiz, depois de, na quinta-feira, o Akaiu Collective ter aberto o primeiro de dois encontros públicos. Em oito anos, o programa recebeu 27 artistas estrangeiros.

O artista brasileiro Caio Luiz apresenta esta sexta-feira, às 18h00, no pequeno auditório do Museu Nacional de Antropologia, na Baixa de Luanda, o trabalho desenvolvido durante quatro semanas na capital angolana. É o segundo de dois “open studios” com que o programa Angola AIR encerra as residências artísticas deste ciclo.

O primeiro realizou-se na quinta-feira, com o Akaiu Collective, formado por Victoria Santos, do Brasil, e Luis Santos, de Moçambique, numa conversa moderada pelo artista angolano Hélio Buite. A entrada é livre.

Os encontros permitem conhecer não só os resultados artísticos, mas também os processos de investigação, experimentação e criação que os artistas desenvolveram em contacto com a cidade e com a cena artística angolana.

A periferia no centro

Caio Luiz, nascido em 1998, vive e trabalha no bairro da Posse, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. O seu trabalho mostra a Baixada Fluminense por um ângulo pouco habitual, longe das narrativas de tragédia, exclusão e marginalidade que costumam marcar a região.

Na pintura, transforma fotografias e memórias pessoais, usando muitas vezes a terra do próprio território como matéria artística. Materiais como cimento, areia e zinco evocam a construção, a sobrevivência e a expansão urbana sobre os espaços naturais.

A conversa desta sexta-feira será moderada pelos artistas angolanos Oksanna Dias e Francisco Baiano, finalistas do curso de Artes Visuais da Faculdade de Artes da Universidade de Luanda, que concluíram recentemente um estágio na galeria ELA – Espaço Luanda Arte.

Um cajueiro contracolonial

O nome Akaiu vem de uma palavra tupi-guarani que designa o cajueiro, árvore nativa da América do Sul. A escolha de um termo indígena é, para o colectivo, um gesto afectivo e político, que liga as lutas dos povos indígenas às das comunidades da diáspora africana.

Enquanto artistas queer, Victoria Santos e Luis Santos partem das suas próprias identidades para questionar a monogamia, as masculinidades, o racismo e a colonialidade. O trabalho cruza performance, fotografia, vídeo, escultura e colagem, e parte muitas vezes de situações banais do quotidiano para as transformar em objectos críticos e poéticos.

Oito anos de pontes

Sediado em Luanda, o Angola AIR (Artist-in-Residency) é um programa de residências destinado a artistas estrangeiros, com ateliers no Chamavo e na Vila Alice. Os residentes visitam ateliers, galerias e espaços culturais e trabalham com artistas, curadores, galerias e coleccionadores locais. O objectivo é que os trabalhos criados em Angola possam depois ser mostrados nos países de origem dos artistas e noutros circuitos internacionais.

Em oito anos, o programa recebeu 27 artistas de 15 países, entre os quais São Tomé e Príncipe, Alemanha, Estados Unidos, Quénia, Nigéria, África do Sul, República Democrática do Congo, Moçambique e Brasil. O Brasil é o país de origem de mais de metade dos residentes, num total de 14 artistas.

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