Albert Zeufack destaca a evolução dos indicadores macroeconómicos do país, o crescimento do sector não petrolífero e as oportunidades de investimento associadas à diversificação da economia e ao Corredor do Lobito.
Angola passou de uma das economias que mais preocupações macroeconómicas suscitavam ao Banco Mundial para um exemplo da capacidade de transformação das economias africanas. A avaliação é de Albert Zeufack, director do Banco Mundial para Angola, República Democrática do Congo (RDC), Burundi e São Tomé e Príncipe, que destaca os progressos alcançados pelo país ao longo da última década.
Zeufack recorda que, há cerca de dez anos, quando desempenhava as funções de economista-chefe do Banco Mundial para África, Angola figurava entre os países com taxas de inflação mais elevadas do continente e representava uma das maiores preocupações em matéria de estabilidade macroeconómica.
A forte dependência do petróleo e os sucessivos períodos de recessão que marcaram a economia angolana ao longo dessa década contribuíam para esse cenário.
Entretanto, a situação registou alterações significativas. Numa intervenção em Luanda, o responsável do Banco Mundial apontou a descida da inflação para níveis próximos de 8% e uma previsão de crescimento económico superior a 4% este ano, destacando, sobretudo, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) não petrolífero.
Na perspectiva de Albert Zeufack, o desempenho do sector não petrolífero constitui um sinal de que a economia angolana está a desenvolver uma nova dinâmica, com progressos no processo de diversificação e uma maior abertura a oportunidades de investimento.
O responsável considera que Angola está a criar condições favoráveis à entrada de novos investidores, num contexto em que os projectos estruturantes de infra-estruturas assumem um papel importante na transformação económica.
Entre as iniciativas com maior potencial destaca-se o Corredor do Lobito, que estabelece uma ligação entre a costa angolana e as regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia. O projecto é apontado como uma infra-estrutura estratégica para facilitar o transporte de mercadorias, dinamizar o comércio regional e criar novas oportunidades para o investimento privado.
Albert Zeufack atribui os progressos registados ao trabalho de reformas desenvolvido pela equipa económica angolana, considerando que as medidas implementadas começam a produzir resultados e a posicionar o país como um destino com potencial para novos investimentos.
A avaliação do responsável do Banco Mundial reforça a importância da continuidade das reformas estruturais, da redução da dependência do petróleo e do fortalecimento dos sectores não petrolíferos para consolidar o crescimento económico e ampliar a capacidade de atracção de capital.