Angola acolhe a Africa Financial Summit (AFIS), pela primeira vez realizada na África Austral e num país de língua portuguesa. O encontro decorre no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, sob o lema “Making Capital Count”, reunindo responsáveis governamentais, instituições financeiras e investidores para discutir novas formas de mobilizar recursos internos e reduzir a dependência do financiamento externo.
Luanda recebe, nos dias 3 e 4 de Novembro de 2026, a Africa Financial Summit (AFIS), uma das principais plataformas de debate sobre o futuro do sector financeiro africano. O encontro, que decorre no Centro de Convenções de Talatona, marca a primeira realização da iniciativa na África Austral e num país de língua portuguesa.
Sob o lema “Making Capital Count”, a cimeira acontece numa altura em que o acesso ao financiamento internacional se torna mais restritivo e os países africanos procuram alternativas para sustentar o crescimento económico, reforçando a mobilização de poupança interna e o desenvolvimento dos mercados financeiros.
Banca e mercado de capitais no centro da estratégia
A escolha de Angola como anfitrião coloca o sistema financeiro nacional no centro das atenções, num debate que procura identificar mecanismos para aumentar a capacidade de financiamento das economias africanas a partir dos seus próprios recursos.
Segundo os dados apresentados pela organização, o sector bancário angolano possui activos estimados em cerca de 40 mil milhões de dólares, dimensão que lhe confere um papel relevante na discussão sobre a mobilização de poupança, concessão de crédito e financiamento de projectos empresariais e de infra-estruturas.
A participação de instituições como o Banco Nacional de Angola (BNA), o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco de Fomento Angola (BFA), a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) e a Comissão do Mercado de Capitais (CMC) reflecte a abrangência dos temas em discussão e a importância atribuída à articulação entre a banca tradicional e os mercados de capitais.
O BFA participa como patrocinador do encontro, enquanto o Banco BNI assume a condição de parceiro da indústria, reforçando o envolvimento da banca angolana numa iniciativa de dimensão continental.
Entre os oradores confirmados encontram-se a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, e a presidente da comissão executiva da BODIVA, Cristina Lourenço, duas responsáveis com intervenção directa em áreas fundamentais para o desenvolvimento do sistema financeiro e do mercado de capitais angolano.
Angola procura afirmar-se como plataforma financeira regional
A realização da AFIS em Luanda representa também uma oportunidade para Angola projectar a sua posição no panorama económico e financeiro africano. A organização apresenta o país como a sétima maior economia do continente, com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 115 mil milhões de dólares.
Este posicionamento constitui um dos argumentos para a realização do encontro no país, que procura reforçar a sua capacidade de atrair investimento, desenvolver o mercado financeiro e diversificar as fontes de financiamento da economia.
O desafio ultrapassa, contudo, a dimensão dos activos bancários ou a posição relativa de Angola entre as economias africanas. Passa sobretudo pela capacidade de transformar os recursos financeiros existentes em crédito à economia real, apoiar o sector privado, financiar pequenas e médias empresas e criar instrumentos que permitam canalizar poupanças para projectos produtivos.
Num contexto de maior selectividade dos mercados internacionais e de condições de financiamento externo menos favoráveis, a AFIS coloca em discussão uma questão central para o futuro económico africano: como financiar o desenvolvimento com maior recurso ao capital existente no próprio continente.
Sob o lema “Making Capital Count”, Luanda torna-se, assim, palco de uma discussão que procura aproximar o sistema financeiro das necessidades de desenvolvimento das economias africanas, num momento em que a autonomia financeira e a diversificação das fontes de financiamento assumem crescente importância.