Internacional

Lula e Flávio Bolsonaro chegam empatados à segunda volta, que pode ser decidida pela abstenção

As sondagens não separam o Presidente brasileiro do filho de Jair Bolsonaro. Quem vencer no domingo vai ter de equilibrar as relações com a China e com os EUA e enfrentar uma situação orçamental cada vez mais apertada.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, chegam empatados à segunda volta das presidenciais de domingo, 25 de Outubro. Segundo a última sondagem do Datafolha, divulgada na quinta-feira, cada um tem 50% dos votos válidos. Nos votos totais, o senador do PL tem 47% e Lula 46%, com 5% de brancos e nulos e 2% de indecisos, num estudo com uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Com uma diferença tão curta, o resultado pode depender de qual dos eleitorados fica em casa. Na primeira volta, Flávio Bolsonaro ficou à frente, com 47,03%, contra 45,16% de Lula. O voto no Brasil é obrigatório, mas a abstenção pesa, e ambas as campanhas tentam mobilizar os seus eleitores até ao último dia.

Entre Pequim e Washington

Quem vencer terá de gerir um equilíbrio delicado entre a China, o maior parceiro comercial do Brasil, e os Estados Unidos. O contexto regional pesa: as últimas sete eleições na América Latina foram ganhas por conservadores próximos de Washington e da política de Donald Trump de combate à imigração e ao narcotráfico. Uma vitória de Flávio Bolsonaro alinharia o Brasil com essa vaga. Lula, que tem apostado nos BRICS e numa diplomacia de equilíbrio, seria uma excepção cada vez mais isolada no continente.

Qualquer que seja o vencedor, o desafio económico é o mesmo. A dívida pública bruta chegou aos 10,8 biliões de reais em Junho, 81,9% do PIB, e deverá fechar o ano perto dos 82%, segundo a Instituição Fiscal Independente. O défice nominal atingiu os 9,99% do PIB nos 12 meses até Junho, o valor mais alto desde 2021, puxado sobretudo pelos juros da dívida, que absorvem 8,8% do PIB, num país com uma das taxas de juro mais altas do mundo.

A isso soma-se a crescente precariedade económica de grande parte da população, que tem marcado a campanha. O próximo Presidente vai herdar um país dividido ao meio e com pouca margem orçamental para cumprir promessas.

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