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Raffles Family Office procura atrair centenas de milhões de dólares para projecto de Fórmula 1 e turismo no Ruanda

A Raffles Family Office, uma empresa asiática de gestão de grandes fortunas, está a procurar mobilizar centenas de milhões de dólares junto de famílias extremamente ricas para financiar projectos ligados às ambições do Presidente ruandês, Paul Kagame, nas áreas da Fórmula 1, do turismo e das infra-estruturas.

A empresa, com sedes em Hong Kong e Singapura, celebrou um acordo com o Conselho de Desenvolvimento do Ruanda para promover oportunidades de investimento no país da África Oriental junto dos seus clientes abastados na Ásia e em África.

Entre os projectos abrangidos pelo entendimento figuram o Aeroporto Internacional de Bugesera, hotéis, espaços de entretenimento, empreendimentos imobiliários e outras infra-estruturas destinadas a apoiar o acordo de dez anos que prevê a realização do Grande Prémio de África de Fórmula 1 no Ruanda.

Outros investimentos potenciais deverão localizar-se em Kigali, Bugesera e Musanze, numa altura em que o país procura transformar a realização de eventos desportivos internacionais e o turismo de luxo em fontes de investimento, criação de emprego e receitas em divisas.

O acordo não significa que a Raffles tenha assumido o compromisso de investir centenas de milhões de dólares dos seus próprios recursos. A empresa irá, antes, apresentar oportunidades de investimento no Ruanda às famílias abastadas que integram a sua rede de clientes e facilitar o contacto entre os investidores interessados e os promotores dos projectos.

Ruanda procura ligar a Fórmula 1 ao capital privado

O entendimento permite ao Ruanda aceder a uma rede de capitais privados asiáticos, numa altura em que o país se prepara para acolher a primeira corrida de Fórmula 1 em África desde o Grande Prémio da África do Sul, realizado em 1993.

O Presidente Paul Kagame e a Fórmula 1 anunciaram o acordo de dez anos a 13 de Outubro. A primeira corrida deverá realizar-se no início da década de 2030, depois da construção de um circuito especificamente concebido para a competição em Bugesera, a cerca de 40 quilómetros de Kigali.

O circuito fará parte do projecto RISE Motordrome, um complexo de maiores dimensões que deverá integrar actividades desportivas, turismo, hotelaria, entretenimento e instalações destinadas aos visitantes, nas proximidades do novo aeroporto de Bugesera.

Embora o Ruanda e a Fórmula 1 ainda não tenham divulgado o custo total do circuito ou do contrato de acolhimento da competição, a construção de uma instalação moderna para receber provas da modalidade poderá ultrapassar os 50 milhões de dólares. Por outro lado, as taxas anuais de organização poderão atingir aproximadamente o mesmo valor, segundo estimativas citadas pelo jornal britânico ‘The Times’.

Ligar famílias asiáticas com grandes fortunas a projectos africanos

O acordo com o Ruanda insere-se na estratégia da Raffles Family Office de estabelecer um corredor de investimento que ligue famílias asiáticas com grandes fortunas a projectos africanos, ao mesmo tempo que procura aproximar investidores africanos de oportunidades na Ásia.

No início de 2026, a empresa abriu um escritório de representação em Kigali, estabelecendo a sua primeira base operacional para a expansão no continente africano.

Em Setembro, nomeou Jean de Dieu Uwihanganye, antigo membro do Governo ruandês e antigo embaixador, para o cargo de responsável pelos mercados emergentes e pelo desenvolvimento de negócios.

Uwihanganye desempenhou anteriormente funções como ministro das Infra-estruturas do Ruanda e alto-comissário do país junto de Singapura, da Austrália e da Nova Zelândia. A sua nomeação proporciona à Raffles um quadro dirigente com experiência tanto na política de infra-estruturas ruandesa como na diplomacia asiática.

Na altura, a empresa afirmou que o potencial de investimento em África continuava a ser superior ao que muitos investidores internacionais reconheciam, sublinhando, porém, que o sucesso das operações transfronteiriças exigia profissionais com conhecimento dos mercados envolvidos.

A parceria poderá ajudar o Ruanda a diversificar as suas fontes de financiamento, atraindo capitais privados de famílias abastadas para os sectores do turismo, do imobiliário e das infra-estruturas, reduzindo a dependência das despesas públicas e do financiamento institucional.

Até ao momento, não foram divulgados os nomes de clientes específicos da Raffles que pretendam participar nos projectos, os montantes que poderão ser investidos ou quaisquer negócios já concluídos.

O impacto do acordo dependerá, por isso, da capacidade de os projectos propostos assegurarem financiamento efectivo e demonstrarem condições para gerar rendimentos comercialmente viáveis.

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