Mercados Financeiros

Petróleo ultrapassa 110 dólares com agravamento das tensões no Médio Oriente

Os preços do petróleo voltaram a subir ontem, quarta-feira, dia 20, pressionados pelos receios de perturbações no abastecimento provenientes do Médio Oriente. Os ataques a petroleiros nas proximidades do estreito de Ormuz e a instalações energéticas da Arábia Saudita estão a aumentar a instabilidade nos mercados internacionais.

Os contratos futuros do Brent, referência para as ramas negociadas nos mercados internacionais, valorizaram 1,22%, para 110,13 dólares por barril. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos da América, subiu 1,11%, para 98,92 dólares por barril.

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou, ontem, na terça-feira, que minas navais impediram três petroleiros de atravessar o estreito de Ormuz, alegando que as embarcações tentavam utilizar rotas não autorizadas por Teerão.

«Dois petroleiros que violaram as regras foram incendiados e imobilizados devido à explosão de minas colocadas pelos corajosos marinheiros da Marinha da Guarda Revolucionária, num ponto de passagem ilegal na parte sul do estreito de Ormuz», declarou a organização, numa nota publicada no seu portal oficial, Sepah News.

A agravar as preocupações na região, os rebeldes Houthi do Iémen reivindicaram, na segunda-feira, a responsabilidade por ataques contra instalações da petrolífera Saudi Aramco, em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah e aeroportos nas cidades de Riade e Abha, na Arábia Saudita.

A escalada das tensões está igualmente a encarecer o transporte marítimo mundial de petróleo, acrescentando pressão sobre os mercados energéticos.

Segundo um relatório da Goldman Sachs, divulgado ontem,terça-feira, o custo médio mundial do transporte marítimo de petróleo bruto ultrapassou os 20 dólares por barril, quando há um ano se situava em apenas três dólares. Apesar de uma ligeira descida nos últimos dias, os custos permanecem aproximadamente sete vezes acima dos níveis registados há um ano.

O banco de investimento estima que os prémios de risco de guerra associados à travessia do estreito de Ormuz representem cerca de sete dólares dos 17 dólares de aumento homólogo no custo médio do transporte por barril. As transferências de petróleo entre navios realizadas fora do golfo Pérsico contribuíram com mais quatro dólares para a subida.

A Goldman Sachs alertou que a manutenção de custos elevados no transporte marítimo poderá acentuar as diferenças de preços entre os vários tipos de petróleo bruto, reduzir as margens de lucro das refinarias e, em última instância, encarecer os combustíveis refinados.

«Os elevados custos de transporte têm afectado particularmente as margens líquidas das refinarias asiáticas, ameaçando a produção de derivados de petróleo e podendo, consequentemente, provocar uma subida dos preços destes produtos nos mercados mundiais», escreveram os analistas do banco.

Relacionadas

Sonangol obrigada a vender acções do BCP para manter participação

Petrolífera angolana terá de alienar cerca de 56 milhões de

JPMorgan alarga à Europa e ao Canadá plano de 1,5

Um ano depois de lançar a Security and Resiliency Initiative,

Mercury reforça presença no mercado internacional de telecomunicações

A Mercury reforçou a sua presença no mercado internacional de