Economia

Angola convida Namíbia a ser accionista da refinaria do Lobito, que continua à procura de parceiros

O Presidente João Lourenço convidou a Namíbia a entrar no capital da refinaria do Lobito, um projecto de 200 mil barris por dia que a Sonangol continua a financiar sozinha. Depois da Zâmbia e do Botswana, Luanda procura sócios regionais para uma obra que está a pouco mais de um quarto da construção.

O Presidente angolano, João Lourenço, anunciou que convidou a Namíbia a integrar a estrutura accionista da refinaria do Lobito, em construção na província de Benguela. O anúncio foi feito na segunda-feira, em Luanda, depois da assinatura de oito acordos de cooperação durante a visita de Estado da Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah.

“Quem tem petróleo tem que ter refinarias”, afirmou Lourenço, defendendo que os países produtores devem vender “cada vez menos petróleo bruto”. O Chefe de Estado garantiu que os países accionistas terão prioridade no fornecimento dos produtos refinados, sem excluir outros clientes da região, e apontou as guerras recentes na Europa, no Médio Oriente e no Golfo Pérsico como razão para refinar o crude localmente.

A Namíbia descobriu petróleo recentemente, mas ainda não iniciou a produção. Nandi-Ndaitwah defendeu que os dois países não devem “permitir mais que os nossos recursos sejam explorados e exportados como matérias-primas”, porque exportar crude é exportar empregos. A Presidente namibiana não se comprometeu com qualquer participação.

À procura de sócios

O convite à Namíbia insere-se numa ofensiva diplomática para atrair parceiros regionais. Em Setembro, durante a visita de Estado do Presidente do Botswana, Duma Boko, Angola ofereceu ao país vizinho uma participação de até 30%. “Depende do Botswana agora decidir quanto vai tomar”, disse Boko na altura. As equipas técnicas continuam a negociar. A Zâmbia manifestou interesse numa participação de 26%, e a Tanzânia e o Gabão também foram abordados. Lourenço já disse que Angola continuará accionista, mas não quer ficar com 100% do projecto.

Por enquanto, a Sonangol continua a ser a única accionista e a suportar sozinha o investimento. Segundo o presidente do Conselho de Administração, Sebastião Gaspar Martins, a petrolífera já investiu cerca de 1,6 mil milhões de dólares na refinaria. A imprensa tem noticiado negociações com investidores chineses para garantir um empréstimo de cerca de 4,8 mil milhões de dólares para concluir a obra.

Primeira produção em 2027

A refinaria deverá processar 200 mil barris de petróleo por dia e produzir gasolina, gasóleo e outros derivados para o mercado interno e para exportação. O custo total está estimado em cerca de 6,6 mil milhões de dólares. A primeira fase, avaliada em cerca de 3,8 mil milhões, tem a produção inicial prevista para Dezembro de 2027, e a conclusão total para 2029. Em Setembro, a obra estava em cerca de 26% de execução física.

O projecto é central para reduzir a factura das importações de combustíveis, que pesa nas contas públicas sobretudo numa altura em que a guerra no Médio Oriente fez disparar os preços e os subsídios. Angola tem hoje a refinaria de Luanda, que a Presidente namibiana deverá visitar, a refinaria de Cabinda, que entrou em funcionamento no ano passado, e um projecto de refinaria no Soyo.

Relacionadas

Sonangol obrigada a vender acções do BCP para manter participação

Petrolífera angolana terá de alienar cerca de 56 milhões de

JPMorgan alarga à Europa e ao Canadá plano de 1,5

Um ano depois de lançar a Security and Resiliency Initiative,

Mercury reforça presença no mercado internacional de telecomunicações

A Mercury reforçou a sua presença no mercado internacional de