Internacional

África do Sul a caminho de recuperar o grau de investimento, mais de seis anos depois de o perder

O Investec estima que a maior economia africana pode voltar ao grau de investimento até 2028, graças às reformas e à disciplina orçamental. A actualização do orçamento, na quarta-feira, será o próximo teste, numa altura em que a inflação, o desemprego e a dívida continuam a pesar.

A África do Sul, a maior economia do continente, está no caminho certo para recuperar a notação de grau de investimento, que perdeu em 2020, no mais recente sinal de recuperação económica. Segundo o Investec Wealth & Investment International, as reformas económicas e a disciplina orçamental de Pretória dão ao país mais de 50% de probabilidade de voltar ao grau de investimento até 2028.

“Uma declaração de política orçamental de médio prazo suficientemente credível” poderá abrir caminho a uma primeira subida de um nível por parte da Moody’s e da S&P, afirmou o estratega de investimento Osagyefo Mazwai. Se os progressos forem confirmados no orçamento de 2027, o grau de investimento torna-se “alcançável”, acrescentou.

O ministro das Finanças, Enoch Godongwana, apresenta na quarta-feira, 21 de Outubro, a actualização do orçamento a médio prazo. Os analistas querem ver uma âncora orçamental credível, uma trajectória de redução da dívida e sinais de que os custos com juros já atingiram o pico.

Agências mais optimistas

As três grandes agências de notação mantêm a África do Sul abaixo do grau de investimento, mas a tendência é de melhoria. A Moody’s, que tem o país em Ba2, dois níveis abaixo do grau de investimento, admitiu na semana passada que se prepara para a primeira subida desde 2009, se as contas públicas continuarem a melhorar. A Moody’s e a S&P têm perspectiva positiva. A S&P subiu a notação em Novembro de 2025 e a Fitch em Junho deste ano, para BB.

A melhoria das contas tem ajudado. O Bank ofAmerica estima que as receitas fiscais do exercício de 2026/27 superem em cerca de 70 mil milhões de rands as previsões de Fevereiro, sobretudo graças aos impostos pagos pelas empresas de ouro e metais preciosos. O banco prevê que a dívida pública desça de 79% para 77% do PIB este ano e que o défice fique nos 3,5%, abaixo da meta de 3,7%.

Foi a Moody’s que, em 2020, retirou à África do Sul o último grau de investimento, pela primeira vez em 25 anos, depois de uma década de derrapagem orçamental, corrupção e má gestão durante a presidência de Jacob Zuma.

O caminho está, porém, longe de ser fácil. A guerra no Médio Oriente fez disparar os preços da energia: a gasolina subiu quase 50% e o gasóleo cerca de 72%. A inflação afastou-se da nova meta de 3%, o que levou o Banco Central sul-africano a subir duas vezes a taxa de juro. O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa a previsão de crescimento do país para 1% este ano, contra os 1,6% previstos pelo Governo em Fevereiro.

O desemprego mantém-se teimosamente alto e subiu para 33,6% no segundo trimestre, com os jovens a serem os mais afectados. “A África do Sul continua sob pressão”, resumiu a Business Insider Africa.

 

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