A Renaissance Africa Energy, que comprou em 2025 o negócio onshore da Shell na Nigéria, lançou um programa de financiamento para empresas nigerianas que lhe prestam serviços. A petrolífera quer chegar aos 500 mil barris por dia até 2030.
A Renaissance Africa Energy, que ficou com o negócio terrestre da petrolífera britânica Shell na Nigéria, reuniu 4,1 mil milhões de dólares e 435 mil milhões de nairas em financiamento para os seus fornecedores, com a participação de 13 bancos. O acordo foi formalizado com a assinatura de memorandos de entendimento em Lagos.
O Renaissance Vendors Financing Scheme (RVFS) destina-se a empresas nigerianas de serviços petrolíferos que executam projectos para a Renaissance e disponibiliza crédito em nairas e em dólares. A procura superou largamente o objectivo inicial, que era de mil milhões de dólares e 100 mil milhões de nairas.
O programa permite que os fornecedores com contratos confirmados obtenham crédito junto dos bancos participantes sem as garantias habituais. Basta que a Renaissance confirme o contrato. O equipamento comprado com estes empréstimos pode também ser usado ao serviço de outros operadores quando não estiver afecto aos projectos da Renaissance.
Participam no programa o First Bank, o Guaranty Trust Bank, o Zenith Bank, o Access Bank, o United Bank for Africa, o Stanbic IBTC, o Standard Chartered, o First City Monument Bank, o Sterling Bank, o Wema Bank, o Union Bank, o The Infrastructure Bank e o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank).
Crédito mais barato para as empresas locais
“Este é um programa que existe desde 2010”, lembrou Tony Attah, administrador-delegado e presidente executivo da Renaissance. O mecanismo foi criado no tempo da Shell, com um fundo de cerca de mil milhões de nairas, e segundo a empresa nunca registou incumprimentos. “O financiamento é um aspecto crítico para alcançarmos esta agenda de crescimento”, afirmou Attah. Garantiu também que as taxas de juro negociadas são mais competitivas do que as que os fornecedores conseguiriam se fossem sozinhos aos bancos.
Wole Ogunsanya, presidente da Associação de Tecnologia Petrolífera da Nigéria (PETAN), considera que o programa ataca o principal travão das empresas nacionais de serviços: o acesso a crédito acessível. Os bancos nigerianos cobram habitualmente entre 10% e 12% e Ogunsanya espera que o programa os faça descer para 8% a 9%.
Olusegun Banwo, vice-presidente executivo para as Finanças, Estratégia e Área Comercial da Renaissance, disse que o êxito será medido pelo volume de crédito desembolsado e pela rapidez com que chega aos fornecedores. Também contará o impacto na execução dos projectos, no conteúdo local e na produção.
O financiamento serve a estratégia de crescimento da Renaissance, que quer produzir 500 mil barris de petróleo por dia até 2030. No gás, a meta é ultrapassar os 2,2 mil milhões de pés cúbicos padrão por dia para abastecimento energético e juntar-lhes mais mil milhões para a industrialização. Os objectivos estão alinhados com a ambição da Nigéria de chegar aos três milhões de barris por dia.
A Renaissance assumiu os activos em Março de 2025 e, segundo a empresa, aumentou a produção em 100 mil barris por dia nos primeiros 100 dias.
A saída da Shell
A Renaissance é um consórcio de cinco empresas, quatro nigerianas e uma internacional: ND Western, Aradel Holdings, First E&P, Waltersmith e Petrolin. Em 2024 chegou a acordo com a Shell para comprar a Shell Petroleum Development Company of Nigeria (SPDC), num negócio avaliado em até 2,4 mil milhões de dólares, que só foi concluído em Março de 2025, depois da aprovação das autoridades nigerianas.
A SPDC detém 30% da joint-venture terrestre que integra também a petrolífera estatal NNPC, a TotalEnergies e a Eni. A venda fez parte da retirada da Shell da produção em terra no delta do Níger, uma região marcada por roubo de crude, sabotagem de oleodutos e processos judiciais por poluição. A petrolífera britânica mantém na Nigéria a produção em águas profundas e o gás.
Foto: Tony Attah, administrador-delegado e presidente executivo da Renaissance