O mercado global de serviços à aviação comercial deverá atingir 422 mil milhões de dólares por ano em 2045, segundo a nova previsão da Airbus. O fabricante europeu melhora as projecções do ano passado, puxado pelo crescimento da frota mundial.
O sector global dos serviços à aviação comercial deverá crescer a um ritmo médio anual de 3,8% até 2045, ano em que deverá atingir 422 mil milhões de dólares (377,19 mil milhões de euros). A previsão foi divulgada hoje pela Airbus, na nova edição do seu Global Services Forecast (GSF), o estudo anual que o fabricante dedica ao mercado de manutenção, formação e serviços digitais para companhias aéreas.
A estimativa revê em alta a do ano passado. Em Outubro de 2025, a Airbus antecipava um crescimento médio anual de 3,6% e um mercado de 311 mil milhões de dólares por ano em 2044.
O crescimento dos serviços acompanha a expansão da frota mundial. Em Julho, no seu Global MarketForecast, a Airbus reviu em alta a previsão de crescimento médio anual do tráfego de passageiros, para 3,9% até 2045, contra os 3,6% que estimava um ano antes. O número de aviões em serviço deverá passar de 23 310 para 45 550.
Para responder a essa procura, o fabricante calcula que serão precisos 42 060 aviões novos nas próximas duas décadas. Destes, 22 240 servirão para acompanhar o crescimento e 19 820 para substituir aparelhos mais antigos.
Segundo a Airbus, o tráfego aéreo mundial deverá mais do que duplicar e ultrapassar os dez mil milhões de passageiros por ano em 2045. O crescimento será impulsionado pelo PIB mundial, pela urbanização e pela expansão da classe média.
Na edição do ano passado, a Airbus dividia o mercado de serviços em cinco segmentos. A manutenção fora da asa, sobretudo de motores e componentes, era de longe a maior fatia, com 107 mil milhões de dólares em 2025 e uma projecção de 218 mil milhões em 2044. Seguiam-se a manutenção na asa, as modificações e actualizações de aeronaves, os serviços digitais e de conectividade e a formação.
Os serviços digitais e de conectividade eram então o segmento com maior potencial de crescimento: deveriam quase triplicar, de nove para 26 mil milhões de dólares.
Milhões de profissionais em falta
A expansão do mercado vai exigir também mais gente. Na previsão de 2025, a Airbus estimava que seriam necessários 2,35 milhões de novos pilotos, técnicos e tripulantes de cabine nos 20 anos seguintes.
Para a Airbus, como para os outros fabricantes, os serviços são uma aposta estratégica. Permitem competir com os prestadores independentes num mercado pós-venda com margens mais altas do que o fabrico de aviões. Em 2024, os serviços representaram 10% das receitas da actividadeprincipal do grupo.