O empresário nigeriano pretende alargar a participação accionista na unidade petrolífera a investidores com aplicações de 50 mil nairas (cerca de 37,5 USD) ou menos, numa operação que poderá mobilizar 2,15 biliões de nairas (1.88 milhões de USD) e atrair até 10 milhões de pequenos aforradores africanos.
O nigeriano Aliko Dangote, considerado o homem mais rico de África e presidente do Dangote Group, anunciou que os pequenos investidores com aplicações de 50 mil nairas ou menos terão prioridade no âmbito da oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa) da refinaria do grupo, localizada na Nigéria.
A decisão foi anunciada durante uma sessão de apresentação da operação aos investidores, realizada em Port Harcourt, no Estado de Rivers, no final de uma digressão nacional destinada a promover a oferta pública.
Segundo uma declaração do Dangote Group, divulgada na quarta-feira, o empresário reiterou que a iniciativa foi concebida para permitir a participação dos investidores africanos com menor capacidade financeira, alargando o acesso à propriedade de uma das maiores infra-estruturas industriais do continente.
«Daremos prioridade às pessoas com 50 mil nairas ou menos», afirmou Dangote, citado na comunicação do grupo.
A estratégia pretende facilitar a entrada de cidadãos nigerianos no capital da refinaria, permitindo-lhes beneficiar directamente do desenvolvimento de uma unidade avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares e com capacidade de processamento de 700 mil barris de petróleo bruto por dia.
Apesar de investidores internacionais já terem manifestado interesse e comprometido capitais significativos no projecto, Dangote considera importante reforçar a participação dos investidores locais, de modo a assegurar que uma parte dos benefícios económicos gerados pela refinaria permaneça nas mãos dos cidadãos africanos.
«Os investidores africanos investiram nesta refinaria. Agora é tempo de os nigerianos investirem em si próprios e participarem num projecto que está a criar valor, empregos e oportunidades para as gerações futuras», declarou o empresário.
O responsável apelou igualmente aos potenciais accionistas para adoptarem uma perspectiva de longo prazo, defendendo que a aquisição de acções poderá contribuir para a criação de riqueza e para a diversificação das carteiras de investimento.
Operação de 2,15 biliões de nairas
A oferta pública inicial foi lançada a 14 de Setembro e tinha inicialmente como prazo de subscrição o dia 13 de Outubro, tendo sido posteriormente prolongada até 27 de Outubro.
A operação prevê a emissão de 4,1 mil milhões de novas acções ordinárias, ao preço de 525 nairas (0,39 USD) por acção. A subscrição mínima corresponde a 10 acções, num investimento de 5.250 nairas (3,95 USD).
Caso a oferta seja integralmente subscrita, a refinaria poderá arrecadar aproximadamente 2,15 biliões de nairas (1,61 milhões de USD), recursos destinados a reforçar a sua estrutura de capital e a alargar a base de accionistas.
A iniciativa tem como objectivo atrair até 10 milhões de pequenos investidores, começando pela Nigéria e procurando alcançar outros mercados africanos. Se concretizada à escala prevista, a operação poderá constituir uma das maiores ofertas públicas de acções da história do continente.
A abertura do capital representa uma mudança importante na estrutura de propriedade da refinaria, ao permitir que investidores individuais participem directamente numa empresa que desempenha um papel crescente no sector energético nigeriano.
Refinaria regressa à rentabilidade
A operação bolsista decorre num momento em que a refinaria apresenta uma evolução financeira favorável. Segundo os dados divulgados sobre os primeiros nove meses de 2026, a empresa registou um resultado líquido de 4,725 mil milhões de dólares até 30 de Setembro.
No mesmo período, as receitas mais do que duplicaram, atingindo 22,5 mil milhões de dólares, num contexto em que a unidade chegou a processar até 700 mil barris de petróleo bruto por dia.
A empresa reportou ainda disponibilidades de caixa de 650,8 milhões de dólares. Os dados financeiros indicam uma melhoria do desempenho operacional, embora a avaliação da sua solidez financeira exija igualmente uma análise das responsabilidades, dos custos de financiamento e das necessidades futuras de capital.
Com capacidade para processar 700 mil barris diários, a refinaria constitui um dos maiores projectos industriais privados de África. A sua dimensão e a possibilidade de captar recursos através do mercado de capitais tornam a oferta pública particularmente relevante para o desenvolvimento dos mercados financeiros africanos.
Ao privilegiar pequenos investidores, Dangote procura transformar a operação numa oportunidade de participação mais alargada no crescimento empresarial, num continente onde o acesso das famílias aos mercados de capitais continua limitado.
A adesão à oferta, contudo, não garante ganhos aos accionistas. O retorno do investimento dependerá da evolução dos resultados da empresa, da sua política de distribuição de dividendos e das condições futuras do mercado petrolífero.