Mercados Financeiros

Petróleo angolano enfrenta dificuldades de escoamento com subida dos fretes marítimos

Descontos do crude de Angola aumentam perante a recuperação da oferta do Médio Oriente e os elevados custos de transporte, pressionando também o mercado petrolífero da Nigéria.

Os carregamentos de petróleo bruto de Angola e da Nigéria estão a enfrentar dificuldades de comercialização no mercado da África Ocidental, devido à subida dos custos de transporte marítimo, num contexto de redução dos preços diferenciais do crude da região face às referências internacionais, segundo operadores do mercado citados pela Reuters.

A situação reflecte a combinação de fretes marítimos elevados, recuperação da oferta de petróleo do Médio Oriente e aumento dos descontos exigidos pelos compradores, factores que estão a dificultar o escoamento de vários carregamentos de crude angolano e nigeriano.

De acordo com um operador do mercado, citado na quarta-feira, vários carregamentos dos dois países continuam a encontrar dificuldades para garantir compradores, num cenário em que os custos logísticos reduzem a atractividade das exportações da África Ocidental.

Desconto do crude angolano aumenta

O petróleo angolano Dalia está entre os graus afectados pela deterioração das condições comerciais. As ofertas deste crude foram apresentadas esta semana com um desconto de 20 dólares por barril em relação ao Brent datado (Dated Brent), de acordo com indicações recolhidas na plataforma Argus Open Market.

O valor representa um agravamento significativo face à semana anterior, quando o desconto para o mesmo tipo de petróleo tinha sido indicado em 9,95 dólares por barril na plataforma Platts.

A diferença entre os dois valores evidencia o aumento da pressão sobre os preços do crude angolano, num mercado em que os vendedores são obrigados a oferecer condições mais competitivas para atrair compradores.

O Dated Brent é uma das principais referências internacionais utilizadas na determinação dos preços do petróleo físico. Os descontos ou prémios aplicados a essa referência reflectem factores como a qualidade do crude, a procura, a disponibilidade de carregamentos e os custos associados ao transporte e à entrega.

Pressão estende-se à Nigéria

A descida dos diferenciais do petróleo angolano está também a exercer pressão sobre os graus de crude nigerianos, segundo outro operador citado pela Reuters.

Angola e Nigéria são importantes exportadores de petróleo da África Ocidental e concorrem por compradores nos mercados internacionais, incluindo refinarias que comparam os preços, a qualidade do crude e os custos de transporte antes de decidir as suas aquisições.

Neste contexto, o aumento dos descontos oferecidos pelos produtores angolanos pode obrigar os exportadores nigerianos a rever as suas condições comerciais para manter a competitividade.

A recuperação da oferta proveniente do Médio Oriente acrescenta outro factor de pressão, ao ampliar as alternativas disponíveis para os compradores. Quando existem mais opções de fornecimento, os produtores podem ter de reduzir os preços para assegurar a colocação dos seus carregamentos.

Os elevados fretes marítimos agravam este cenário, uma vez que aumentam o custo total de aquisição do petróleo entregue ao destino. Assim, mesmo quando os preços de venda são reduzidos, os custos logísticos podem continuar a dificultar as transacções.

Projecto de gás na Guiné Equatorial prevê primeiras entregas em 2028

Noutro desenvolvimento no sector energético da África Ocidental, a petrolífera norte-americana Chevron prevê iniciar, em 2028, o fornecimento de gás natural a partir do projecto de gás offshore Aseng, na Guiné Equatorial. A informação foi avançada por um responsável sénior da empresa, citado pela Reuters.

O projecto integra a actividade da Chevron na região e representa mais um passo no desenvolvimento dos recursos de gás natural da Guiné Equatorial, país que procura valorizar os seus activos energéticos e manter a produção e as exportações num contexto de transformação dos mercados internacionais.

O avanço do projecto ocorre numa altura em que os produtores africanos enfrentam condições comerciais distintas nos mercados do petróleo e do gás, com os primeiros a sentirem a pressão dos custos de transporte e da concorrência entre fornecedores.

Para Angola, a evolução do mercado do crude evidencia a importância das condições de escoamento e da competitividade dos seus carregamentos num ambiente internacional em que os custos logísticos, a oferta disponível e os descontos comerciais podem determinar o interesse dos compradores.

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