Mercados Financeiros

G20 reúne-se em Banguecoque sob o peso da guerra, da energia e da divisão

Os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20 reúnem-se hoje na capital tailandesa, sob presidência norte-americana. É o último encontro ministerial antes da cimeira de líderes de Dezembro, em Miami, e acontece com o FMI a alertar para o maior choque energético em décadas.

Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais das maiores economias do mundo reúnem-se hoje, 15 de Outubro, em Banguecoque, na Tailândia, sob a presidência dos Estados Unidos. O encontro decorre à margem das Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, que levam esta semana à capital tailandesa delegações de 191 países. O mesmo dia junta ainda a reunião dos ministros do G7, sob presidência francesa, e a do Comité de Desenvolvimento do FMI e do Banco Mundial.

É a terceira reunião ministerial da vertente financeira do G20 este ano, depois dos encontros de Abril, em Washington, e de Agosto e Setembro, em Asheville, na Carolina do Norte. Será também a última antes da cimeira de líderes que Donald Trumpvai acolher a 14 e 15 de Dezembro, no Trump National Doral, em Miami.

A reunião acontece dois dias depois de o FMI ter actualizado as suas previsões. O Fundo melhorou ligeiramente a estimativa de crescimento mundial para 2026, de 3% para 3,1%, e manteve em 3,4% a previsão para 2027. Sublinhou, ainda assim, a resistência da economia mundial perante o maior choque energético em décadas, provocado pela guerra no Médio Oriente.

O quadro é menos tranquilizador do lado dos preços: o FMI manteve a previsão de inflação global de 4,7% este ano, acima dos 4,1% registados em 2025. O Fundo alerta também para uma concentração crescente do crescimento. Apenas 32 economias respondem agora por 95% do crescimento global, contra 54 em Abril. A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, avisou que a economia mundial poderá em breve testar os limites da sua capacidade de resistência.

A agenda de Washington

A presidência norte-americana assumiu o G20 em Dezembro do ano passado com a promessa de devolver o grupo à sua “missão central” de promover o crescimento económico. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, definiu como prioridades da vertente financeira: políticas económicas pró-crescimento;modernização da regulação financeira; os desequilíbrios da economia global; transparência e reestruturação da dívida; pagamentos transfronteiriços.

O encontro de Banguecoque chega depois de uma reunião difícil em Asheville. No fim de Agosto, os ministros e governadores não conseguiram aprovar uma declaração de consenso. Bessent revelou que 19 dos 20 membros subscreveram uma declaração da presidência, e que a China foi o único país a discordar. O secretário do Tesouro aproveitou para criticar o excedente externo chinês, que considerou “insustentável”.

Em Asheville houve também tensões entre europeus e russos. Os responsáveis europeus recusaram-se a ser fotografados com o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, e a Alemanha e a União Europeia criticaram a guerra comercial de Trump. Bessentusou o encontro para pedir apoio à campanha de pressão económica contra o Irão, com a ameaça de sanções secundárias aos países que mantenham negócios com Teerão.

África do Sul de fora

A presidência norte-americana fica também marcada pela exclusão da África do Sul, que presidiu ao G20 no ano passado. Washington não acreditou os representantes sul-africanos para os encontros deste ano, depois de Trump ter acusado Pretória de genocídio contra agricultores brancos. As acusações são amplamente contestadas e foram rejeitadas pelo Governo sul-africano.

A decisão foi criticada por vários membros do G20, entre os quais a Alemanha, a China, a Índia, o Brasil e a União Africana. O ministro das Finanças sul-africano, Enoch Godongwana, descreveu a ausência como um “recuo temporário” limitado a 2026. Pretória espera regressar ao grupo com a presidência britânica, que arranca no final deste ano.

O G20 reúne 19 países, a União Europeia e, desde 2023, a União Africana. No conjunto, representa cerca de 85% do PIB mundial, 75% do comércio internacional e dois terços da população do planeta.

 

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