Angola participou em Banguecoque na reunião do Caucus Africano com Ajay Banga, centrada no capital privado, no emprego jovem e na industrialização a partir dos recursos naturais.
Angola esteve representada ontem, 14 de Outubro, na reunião do Caucus Africano de 2026 com o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, em Banguecoque, na Tailândia. A delegação angolana foi chefiada pelo secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga. O encontro decorreu no quadro das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se realizam na capital tailandesa até 18 de Outubro.
A reunião juntou representantes de vários países africanos para discutir as iniciativas do Grupo Banco Mundial no continente. Em agenda estiveram a mobilização de capital privado, a criação de emprego para os jovens, o desenvolvimento de competências, o financiamento ao desenvolvimento e a industrialização através da valorização dos recursos naturais.
O Lobito como corredor de desenvolvimento
O Corredor do Lobito foi um dos temas em destaque, pela importância económica e estratégica que tem para Angola e para a região. A infraestrutura foi apresentada como peça central para atrair investimento, escoar a produção, integrar os mercados regionais e dinamizar o comércio.
O corredor liga o Porto do Lobito, em Angola, às regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia, através do Caminho de Ferro de Benguela. Tornou-se uma das principais rotas de exportação de minerais críticos, como o cobre e o cobalto, essenciais para a transição energética.
O Banco Mundial tem reforçado a sua presença no projecto. Em Setembro, a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), do grupo, emitiu garantias de 62,6 milhões de dólares para cobrir o investimento da Mota-Engil na Lobito AtlanticRailway. A empresa opera o corredor ao abrigo de uma concessão de 30 anos atribuída pelo Governo angolano. Em Julho, a concessionária tinha assegurado um financiamento de 753 milhões de dólares para modernizar 1300 quilómetros de linha férrea.
A instituição tem também insistido na necessidade de reduzir os obstáculos nas fronteiras. Em Fevereiro, em Luanda, a directora-geral de Operações do Banco Mundial, Anna Bjerde, defendeu que o tempo de transporte ao longo do corredor deve baixar dos actuais 25 a 30 dias para cinco a sete. Na mesma ocasião, anunciou que o banco vai usar garantias para reduzir o risco e atrair investidores privados.
Financiamento para crescimento e emprego
O encontro serviu também para discutir as prioridades de financiamento ao desenvolvimento em África. Em causa estão projectos com impacto no crescimento económico, na criação de emprego e na melhoria das condições de vida das populações.
A participação de Angola insere-se nos esforços de cooperação com as instituições financeiras internacionais e os parceiros africanos. O objectivo é identificar oportunidades de financiamento e impulsionar iniciativas estratégicas para a diversificação económica e o desenvolvimento sustentável.
A delegação angolana leva para Banguecoque uma agenda centrada no financiamento ao desenvolvimento, no investimento privado e na cooperação com os parceiros internacionais. Integra também o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, que esta semana se reuniu com o director executivo cessante da constituência angolana no FMI, Adriano Ubisse.