Economia

Remessas da diáspora angolana mantêm expressão reduzida na economia

Apesar de cerca de 620 mil angolanos viverem no estrangeiro, as transferências oficialmente registadas continuam a representar uma parcela reduzida do PIB, evidenciando oportunidades para reforçar a entrada de divisas e mobilizar poupanças para o investimento produtivo.

As remessas enviadas pelos angolanos residentes no estrangeiro continuam a ter um peso limitado na economia nacional, apesar da dimensão da comunidade emigrante e do potencial destes fluxos para reforçar a disponibilidade de divisas, apoiar o rendimento das famílias e financiar actividades empresariais.

Estima-se que cerca de 620 mil cidadãos angolanos vivam na diáspora, constituindo uma comunidade com potencial para contribuir de forma mais expressiva para o financiamento da economia nacional. Contudo, os valores oficialmente registados das transferências pessoais permanecem reduzidos quando comparados com os fluxos captados por várias outras economias africanas.

Dados do Banco Mundial apontam para cerca de 51,7 milhões de dólares em remessas pessoais recebidas por Angola em 2025, ligeiramente acima dos aproximadamente 51 milhões de dólares registados em 2024. As transferências representaram cerca de 0,04% do Produto Interno Bruto (PIB) angolano em 2025, segundo os indicadores internacionais disponíveis.

A conjugação destes números evidencia uma diferença entre a dimensão estimada da diáspora e o volume de remessas captado pelas estatísticas oficiais. Esta realidade levanta questões sobre os canais utilizados para o envio de dinheiro, os custos das operações internacionais e a capacidade do sistema financeiro angolano para atrair uma parcela maior dos recursos dos seus cidadãos no estrangeiro.

Potencial de entrada de divisas

Num contexto em que Angola procura diversificar as fontes de receitas externas e reduzir a dependência das exportações petrolíferas, as remessas podem assumir um papel complementar no financiamento da economia. Embora não substituam as exportações, o investimento directo estrangeiro ou os fluxos de capitais financeiros, estas transferências podem contribuir para aumentar a disponibilidade de moeda estrangeira e sustentar a procura interna.

O seu impacto depende da dimensão dos fluxos, da regularidade dos envios e da forma como os recursos são utilizados. Quando destinados ao consumo, podem apoiar directamente as famílias e dinamizar sectores como o comércio, a habitação, a educação e a saúde. Quando aplicados na criação ou expansão de negócios, podem também contribuir para a formação de capital e para a geração de emprego.

Custos e informalidade condicionam transferências

Os custos das operações internacionais, as condições cambiais e a acessibilidade dos serviços financeiros estão entre os factores que podem influenciar a utilização dos canais formais de envio de dinheiro. A estes aspectos juntam-se a facilidade de levantamento pelos beneficiários, a cobertura dos serviços de pagamento e a confiança nas instituições financeiras.

Parte dos recursos poderá igualmente circular por canais informais, nomeadamente através de dinheiro transportado pessoalmente ou entregue a familiares e conhecidos. Estes movimentos nem sempre são captados pelas estatísticas oficiais, pelo que os valores publicados não devem ser interpretados automaticamente como uma medida integral do dinheiro transferido pela diáspora.

Mobilizar poupanças para o investimento

Para além da redução dos custos de transferência, o desenvolvimento de produtos financeiros dirigidos aos angolanos residentes no estrangeiro poderá ampliar as possibilidades de mobilização destas poupanças.

Depósitos específicos, instrumentos de investimento transparentes e mecanismos de financiamento de pequenas e médias empresas poderão criar alternativas para os emigrantes que pretendam aplicar parte dos seus recursos em Angola. A concretização destas oportunidades dependerá da estabilidade das regras, da protecção dos investidores, da previsibilidade dos retornos e da confiança no sistema financeiro.

A estratégia deverá, contudo, distinguir as remessas destinadas ao sustento das famílias das poupanças disponíveis para investimento. As primeiras respondem a necessidades imediatas e não devem ser tratadas como capital automaticamente mobilizável para projectos empresariais.

Necessidade de melhorar os dados

A dimensão relativamente reduzida das remessas registadas torna relevante o reforço da informação estatística sobre estes fluxos. Uma maior articulação entre o Banco Nacional de Angola, as instituições financeiras e os operadores de transferência poderá contribuir para melhorar a medição das entradas, identificar os principais corredores de envio e avaliar os obstáculos à formalização das operações.

Para a política económica, o objectivo não deverá limitar-se ao aumento nominal das remessas, mas também à redução dos custos, à ampliação do acesso aos serviços financeiros e à criação de condições para que uma parte das poupanças da diáspora possa financiar actividades produtivas.

 

Relacionadas

Tanzânia prestes a fechar acordo de 42 mil milhões de

O Governo da Tanzânia está perto de concluir as negociações

Refinaria de Dangote regressa aos lucros antes da entrada em

A refinaria de petróleo Dangote, na Nigéria, registou um lucro

Angola destaca estabilização da economia e prepara mudança na representação

Em Banguecoque, o secretário de Estado das Finanças e Tesouro,